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Kadafi, Assad, Mugabe… offshore alvo da Triplo X era usada no petrolão e também por ditadores

A companhia Mossack Fonseca, alvo da 22ª fase da Operação Lava Jato, providenciou a abertura de empresas offshore, tipicamente utilizadas em esquemas de lavagem de dinheiro, para o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, para o ex-gerente da petroleira Pedro Barusco e para o operador Mario Goes, intermediário no pagamento de propina de empreiteiras para agentes públicos. Mas os tentáculos da companhia não se restringiram ao Brasil – nem a regimes democráticos. A Polícia Federal detectou como clientes da Mossack um operador do ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, o ex-ditador líbio Muammar Kadafi, morto em 2011, e um primo do atual ditador da Síria, Bashar Assad. Na lista da PF também aparecem ligados à empresa o ex-presidente da Argentina Nestor Kirchner, a ex-primeira-ministra e “princesa do gás” da Ucrânia Yulia Tymoshenko e o ditador de Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, há mais de 35 anos no poder e financiador, por exemplo, do samba-enredo da Beija-Flor de Nilópolis em 2015. No Brasil, além dos investigados no petrolão, a polícia relaciona como clientes da fábrica de lavanderias da Mossack o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo Robson Marinho, investigado no caso Alstom, e um procurador do CEO da JBS Wesley Batista. (Laryssa Borges, de Brasília)