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Justiça prorroga em 15 dias prazo para conclusão de investigação contra Gim Argello

Ex-senador foi preso na 28ª fase da Operação Lava Jato, acusado de receber e intermediar propina de empreiteiras envolvidas no petrolão para "blindar" empreiteiros em CPIs

A 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela maioria dos processos da Operação Lava Jato em primeira instância, prorrogou nesta terça-feira o prazo para que a Polícia Federal conclua o inquérito que investiga o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), preso preventivamente na 28ª fase da Lava Jato, batizada de Vitória de Pirro. O prazo vencia hoje e foi estendido por mais quinze dias pela juíza federal Gabriela Hardt, que substitui Sergio Moro durante viagem do magistrado aos Estados Unidos.

O ex-senador foi preso sob suspeita de ter negociado e intermediado pagamento de propina de empreiteiras envolvidas no petrolão a partidos políticos para que empreiteiros não fossem convocados a prestar esclarecimentos em duas CPIs criadas para investigar irregularidades na Petrobras. O empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, o descreveu como “irredutível” na negociação de propina e que Argello dava em troca “90% de garantia” de blindagem.

A PF pediu a prorrogação do prazo alegando haver diligências pendentes na investigação. Embora a juíza ressalte que o material apreendido na operação aponta “provas de materialidade de crimes e indícios de autoria em relação ao investigado”, o prazo foi concedido porque ela entende que não houve tempo hábil para a análise de todas as provas. Segundo Gabriela Hardt, “não haverá nova prorrogação e é desejável que não seja utilizado todo o prazo”.

Silêncio e delação – Gim Argello deporia ontem em Curitiba, onde está preso, mas preferiu ficar em silêncio. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, ele decidiu buscar um acordo de delação premiada com a força-tarefa que conduz as investigações da Operação Lava Jato.

O ex-senador teria sondado escritórios de advocacia do Paraná, mas, de acordo com o jornal, optou por fazer o acordo sob a orientação do advogado Marcelo Bessa, do Distrito Federal. O escritório do criminalista nega a informação.