Justiça Eleitoral barra candidatura de deputado do Rio por suposta ligação com facção
Val Ceasa (PRD) é o primeiro a ter registro indeferido pelo TRE do Rio em meio à força-tarefa para impedir a influência do crime nas eleições
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) decidiu, por unanimidade, indeferir o registro de candidatura do deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos, o Val Ceasa (PRD). A sessão foi realizada na terça-feira, 1. O parlamentar, que foi alvo de operação do Ministério Público estadual por susposta ligação com a facção Terceiro Comando Puro (TCP), é o primeiro a ter a candidatura barrada no estado para este pleito, em ação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral.
A Corte considerou os elementos sobre indícios de vínculo com a organização criminosa suficientes para impedir o registro do parlamentar, que buscava a reeleição para a Alerj. A análise do tribunal se restringe à participação no processo eleitoral, não representando condenação criminal. Ainda foi determinado o envio de informações à PRE para apuração de eventual responsabilidade do Partido Renovação Democrática (PRD) na escolha do candidato, já que o pedido de registro foi apresentado após a retirada do sigilo das investigações.
Val Ceasa foi alvo de ação do MPE realizada em junho. Pelas investigações, ele teria participado de um articulação para conseguir, junto à PM, informações sobre uma operação sigilosa que mirava a demolição de imóveis do TCP, a segunda maior facção do Rio, em Parada de Lucas. A comunidade integra o chamado Complexo de Israel, na Zona Norte. Entre os edifícios, estava um “resort green” do chefe do Terceiro Comando Puro, Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido com Peixão. O deputado ainda apareceu numa apuração da Polícia Federal sobre aproximação do Comando Vermelho com políticos.
No julgamento, o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, destacou a atuação preventiva da Justiça Eleitoral para impedir que organizações criminosas exerçam influência sobre o processo eleitoral. Ele também ressaltou a responsabilidade dos partidos na escolha dos candidatos apresentados à sociedade. Val Ceasa pode recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).







