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Justiça do Rio proíbe a cremação do corpo de Adriano da Nóbrega

Minutos antes da decisão, um integrante do governo Witzel disse a VEJA que ex-policial seria cremado nesta quarta-feira

Por André Siqueira, Cassio Bruno - Atualizado em 12 fev 2020, 12h41 - Publicado em 12 fev 2020, 12h04

A Justiça do Rio proibiu, nesta quarta-feira, 12, a cremação do corpo do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega. O pedido havia sido feito pela mãe e pelas irmãs do ex-policial.

Em sua decisão, a juíza Maria Izabel Pena Pieranti afirmou que o pleito não atendia “aos requisitos da Lei 6.015/73, não estando acompanhado de imprescindíveis documentos”, como o Guia de Remoção de Cadáver e o Registro de Ocorrência. A magistrada destaca, também, que a morte de Adriano da Nóbrega não se deu “por causas naturais”.

Momentos antes da decisão, um integrante do governo de Wilson Witzel havia informado a VEJA que Adriano, morto numa operação policial conjunta das secretarias de segurança pública dos estados da Bahia e do Rio, realizada no domingo 9, seria cremado nesta quarta-feira.

Ex-capitão do Bope, Nóbrega era acusado de chefiar a milícia Escritório do Crime e considerado peça-chave na investigação do caso da rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República. Como afirma a magistrada na decisão, se consumada, a cremação dificultaria o esclarecimento de uma das principais dúvidas sobre a morte: se Nóbrega foi morto após reagir à ordem de prisão, como diz a versão oficial divulgada pelas autoridades, ou se foi executado, como alega sua esposa, que já classificou o episódio como queima de arquivo.

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A versão de que houve queima de arquivo foi endossada a VEJA pelo advogado de Adriano da Nóbrga, Paulo Emílio Catta Preta.

Segundo Catta Preta, Adriano ligou para ele pela primeira vez na terça, 4, para dizer que temia ser morto como de “queima de arquivo”. O advogado afirma que nunca teve contato direto com o miliciano, mas que, apesar disso, tinha convicção de sua inocência e absolvição. A conversa aconteceu dias após uma operação para prendê-lo na Costa do Sauípe, na Bahia.

“A mulher dele, Julia, me contou que policiais apontaram armas para as filhas do casal, de 17 e 7 anos, durante essa operação. Depois, o Adriano me ligou e afirmou que não adiantaria se entregar porque ninguém queria sua prisão, e sim sua morte”, disse o advogado a VEJA.

Flávio Bolsonaro

Em seu perfil oficial no Twitter, o senador Flávio Bolsonaro pediu “às autoridades competentes” que impedissem a cremação. “Acaba de chegar a meu conhecimento que há pessoas acelerando a cremação de Adriano da Nóbrega para sumir com as evidências de que ele foi brutalmente assassinado na Bahia. Rogo às autoridades competentes que impeçam isso e elucidem o que de fato houve”, diz a publicação.

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