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Juiz desmente Pedro Corrêa e nega redução de pena

Para magistrado, mensaleiro não cumpriu o tempo de trabalho que alega ter feito na prisão

Por Da Redação - 8 mar 2015, 23h47

Condenado em 2013 a sete anos e dois meses de detenção por envolvimento no esquema do mensalão e também suspeito de ligação com o petrolão, o ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE) pode ter tentado enganar novamente a Justiça e, desta vez, dentro da cadeia. De acordo com apuração empreendida pelo juiz Luiz Rocha, que deveria decidir sobre um pedido de redução de pena feito pelos advogados do ex-deputado, ele não cumpriu o tempo de trabalho e estudo que alega ter realizado na prisão. A defesa do mensaleiro pede o benefício com base em uma conta que, para Rocha, não fecha: dizem que o político trabalhou 221 dias e dedicou 450 horas a um curso de ensino a distância.

A partir de duas inspeções feitas de surpresa nos locais onde Pedro Corrêa teria trabalhado, a decisão do juiz Luiz Rocha foi a de negar o pedido feito pelos advogados. “Essas irregularidades que nós enxergamos, nessa situação, é que nos levou e nos motivou, e nos convenceu a indeferir o pedido de remição dele”, disse Rocha em reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo.

Em uma dessas visitas de surpresa, o juiz foi até a cocheira da penitenciária onde Corrêa ocupa uma espaçosa cela com banheiro individual, televisor, DVD, ventilador e fogão, a 210 quilômetros da capital pernambucana, Recife. Ali, o mensaleiro diz ter trabalhado 150 dias, ou cinco meses, ordenhando vacas, cuidando da ração e da vacinação do gado. Ao falar com agentes penitenciários e outros detentos que trabalham no local, no entanto, ninguém sabia dizer quando ele trabalhou lá.

Além de indeferir o pedido de redução de pena, o juiz determinou que o governo de Pernambuco cobre do ex-deputado o dinheiro que ele recebeu pelos dias que diz ter trabalhado na prisão, cerca de 2 000 reais.

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Ao Fantástico, a defesa de Pedro Corrêa questionou a forma como o juiz realizou as inspeções. “É um procedimento absolutamente atípico, sem qualquer previsão e principalmente e o que é mais grave: sem a participação da defesa”, disse Plínio Nunes, advogado do mensaleiro. Corrêa foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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