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José Victor Oliva: Folião bolsonarista

Dono do camarote mais concorrido da Sapucaí, o empresário diz que a festa hoje é feita para as redes sociais, não mais para as celebridades

Há trinta anos o senhor comanda o camarote mais disputado do Carnaval carioca. O que mudou no período? Acabou a era em que as cervejarias disputavam famosos para que usassem suas camisetas. Uma trazia a Paris Hilton, outra revidava com a Jennifer Lopez. Esse modelo já deu o que tinha de dar.

Por quê? Com a diminuição da importância das revistas de celebridades e o surgimento das redes sociais, o Carnaval precisou passar por mudanças. Hoje, ele é um produto desenhado para causar impacto no Instagram e no Facebook, com nova composição de convidados. Se antes havia o trabalho de reunir três famosos para fazer uma foto que rendesse capa de revista, agora a comunicação está ancorada em divulgar uma hashtag. Uma blogueira pode ter mais apelo que uma atriz. Havia abuso por parte de algu­mas celebridades, que pediam vinte convites para a família inteira. O Carnaval ficou mais jovem.

O senhor foi um apoiador de Jair Bolsonaro. Criou inimizades? Tive problemas com família, amigos íntimos… Participo de um grupo de WhatsApp chamado “6 Tenores” — no qual estão, além de mim, os publicitários Washington Olivetto, Nizan Guanaes, Sérgio Amado, Sérgio Gordilho e Sérgio Valente. Infernizei tanto a vida deles, mandando vídeos e esculhambando o PT, que decidi deixar o grupo. Voltei depois da eleição, feliz e pimpão.

Por que um apoio tão intenso? O Bolsonaro falou o que as pessoas queriam ouvir, enquanto os politicamente corretos pediam pesquisas disso, pesquisas daquilo… Nunca vi uma turma tão incapaz — e isso vale inclusive para a imprensa, que achava que ele não se elegeria. Esse pessoal não teve sensibilidade de escutar o povo. Aquela moça lá, a seringueira — como é o nome dela?

O senhor fala de Marina Silva? Ela acabou com 1% dos votos. Existe um cansaço em relação às pessoas mornas. Ninguém mais ama o Fernando Henrique Cardoso. Sou contra um monte de bobagens que o Bolsonaro já falou, como em relação aos gays, mas não sei se ele seria eleito sem essas bobagens.

O senhor diz odiar o PT, mas tem uma foto de Lula no escritório, com a camiseta de uma casa noturna sua. Em 1981, um jornalista da TV Manchete pediu para fazer uma matéria com o Lula no Galle­ry, com o título “A classe operária vai ao paraíso”. Ao final, dei uma camiseta ao Lula, e ele fez questão de colocar na hora. Anos depois, votei no Lula. Mas vieram o mensalão e o petrolão e me decepcionei para burro. Deixo a imagem ali como um registro histórico.

Publicado em VEJA de 30 de janeiro de 2019, edição nº 2619

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