Clique e Assine VEJA por R$ 9,90/mês
Continua após publicidade

José Múcio: bolo de rolo, fogo amigo e a política como vício

Futuro ministro da Defesa é especialista em governos do PT, que lhe renderam dor de cabeça como articulador político e recompensas com a indicação ao TCU

Por Daniel Pereira 10 dez 2022, 11h11

Escolhido para o cargo de ministro da Defesa pelo presidente eleito Lula, José Múcio Monteiro Filho é hábil negociador político, bom de prosa e político profissional. Com cinco mandatos de deputado federal no currículo, ele conhece de sobra o bônus e o ônus da vida pública, especialmente nos governos do PT.

Em 2007, no segundo mandato de Lula, Múcio deixou a liderança do governo na Câmara para assumir o posto de ministro de Relações Institucionais. Trocou a planície pelo Planalto, ganhou prestígio, aproximou-se ainda mais do chefe, mas conheceu como poucos o poder do fogo amigo. Na época, tornou-se uma espécie de alvo preferencial de outros dois ministros de Lula.

Titular da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins responsabilizava Múcio por todo vazamento de informação saído do Planalto, o que levou Múcio a fazer o possível para não ser visto pelo colega conversando com jornalistas. Já Dilma Rousseff, à época à frente da Casa Civil, achava que Múcio fazia o jogo dos partidos políticos, reforçando o lobby deles por cargos no setor elétrico, a menina dos olhos da gerentona.

Bem-humorado, Múcio costumava comparar o seu gabinete no palácio a um bolo de rolo, iguaria típica de seu estado natal, Pernambuco. Mas fazia uma importante ressalva: ali, o que sobrava mesmo era rolo, problema, dor de cabeça. Não era exagero. Certa vez, a cúpula do governo entrou em atrito por causa de uma disputa de indicações para a diretoria da Biblioteca Nacional. Até cargos de terceiro escalão rendiam controvérsia.

Em 2009, veio a recompensa. Lula indicou Múcio para o Tribunal de Contas da União (TCU), onde ele permaneceu até o fim de 2020. Quando decidiu se aposentar, Múcio disse a pessoas próximas que era hora de descansar e curtir a família e os amigos. Sua pregação prenunciava uma aposentadoria definitiva da vida pública. A partir de primeiro de janeiro, ele voltará a dar expediente em Brasília — sob a chefia de Lula, mas sem Martins e Dilma nos gabinetes próximos. A política é mesmo um vício.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 9,90/mês*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 49,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.