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Joesley diz que conversou com políticos para barrar Lava Jato

Segundo o empresário, os encontros mais frequentes foram com Michel Temer (PMDB), Eduardo Cunha (PMDB) e Ciro Nogueira (PP)

Por Da Redação - Atualizado em 12 set 2017, 14h58 - Publicado em 12 set 2017, 09h01

Em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário Joesley Batista, dono do Grupo J&F, disse que antes de se tornar um delator “tratou com vários políticos sobre como parar” a Operação Lava Jato. Joesley prestou depoimento no feriado de 7 de setembro, no procedimento de revisão do acordo de delação premiada firmado com a PGR.

Joesley Batista afirmou que os políticos com quem mais falou sobre tudo o que acontecia com a empresa no âmbito da Operação Lava Jato durante os últimos três anos foram Ciro Nogueira (PP), Eduardo Cunha (PMDB) e Michel Temer (PMDB).

No dia seguinte ao depoimento, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão de Joesley, do executivo da J&F Ricardo Saud e do ex-procurador da República Marcello Miller. No mesmo dia, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, decretou a prisão dos dois primeiros.

Delação

No depoimento, Joesley disse que conheceu Miller no início de março deste ano, quando o então procurador da República foi até a sua casa apresentado por Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico do grupo J&F. O empresário disse que encontrou o ex-procurador pelo menos outras duas vezes no mesmo mês, na sede da JBS. Miller ainda não havia sido exonerado do Ministério Público Federal naquele momento.

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Joesley, no entanto, afirmou que “nunca recebeu orientação de Marcello Miller sobre elaboração dos anexos nem sobre a produção de uma prova específica”. Apesar disso, disse que os contatos com Miller foram importantes para ele acreditar que deveria fazer o acordo de colaboração premiada.

Sobre um dos encontros com Miller em março, Joesley afirmou “que conversou com Marcello Miller sobre colaboração premiada. Como se faz, o procedimento, se funciona ou não; que Marcello Miller dava orientações abstratas sobre colaboração e crimes, tendo servido para entender o processo de colaboração premiada; que isso serviu para o depoente acreditar que a colaboração era o caminho correto, o melhor e talvez o único”.

Em outro momento, o empresário disse não ter certeza se Miller esteve em contato com os anexos de Ricardo Saud. Joesley também afirmou “não houve nenhuma indução ou orientação de Marcello Miller a nenhum dos colaboradores”. Joesley também disse que a menção aos “cinco ministros do Supremo na mão dele foi elucubração de dois bêbados em casa e sozinhos”. Segundo ele, foi algo da “imaginação de Ricardo Saud”, bem como o fato de ter dito que Janot iria advogar com Marcello Miller.

O Planalto afirmou que “o depoimento do senhor Joesley Batista mostra que ele mente mais uma vez”. A defesa de Cunha nega as acusações e afirma que prestará os devidos esclarecimentos oportunamente, quando convocado pelas autoridades. A assessoria do senador Ciro Nogueira (PP) foi contatada e não respondeu sobre as citações até a conclusão desta edição. A defesa do advogado Marcello Miller informou que só teve acesso ao pedido de prisão da PGR nesta segunda-feira e está preparando as medidas cabíveis.

(Com Estadão Conteúdo)

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