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João Dias vai à Câmara depor sobre corrupção no Esporte

Delator do escândalo que derrubou o ministro Orlando Silva explica aos deputados detalhes sobre esquema de desvio de verbas na pasta

Delator do esquema de corrupção no Ministério do Esporte, o policial militar João Dias Ferreira fala nesta quarta-feira a partir das 14h30 à Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados. O motorista Célio Soares Pereira, que conta ter entregado uma caixa de dinheiro ao ministro, também foi convidado a falar. O convite à dupla foi aprovado na semana passada, numa sessão em que a base aliada não deu as caras. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), diz que o esvaziamento foi intencional.

João Dias e Célio Soares relataram a VEJA detalhes do esquema de corrupção instalado na pasta, em que havia desvio de verbas em contratos com Organizações Não-Governamentais (ONGs). Segundo o policial militar, o PCdoB usava os convênios para fazer caixa de campanha. Das verbas destinadas às ONGs, até 20% era desviado.

Ele afirmou também que o próprio ministro Orlando Silva, que deve oficializar sua saída do cargo ainda nesta quarta, recebeu uma caixa repleta de dinheiro, de acordo com uma das testemunhas do caso. Orlando Silva negava todas as acusações e desqualificou o delator, chamando-o de “bandido”. Na edição desta semana, VEJA revelou gravações demonstrando que funcionários do ministério ajudaram o PM a se livrar de ofício que o acusava de irregularidades.

Um dia depois de o Supremo Tribunal (STF) abrir inquérito contra Orlando Silva, o depoimento de João Dias poderia aumentar o desgaste da imagem do ministro, que já não estava seguro no cargo. Nesta terça-feira, em audiência para tratar da Comissão Geral da Lei da Copa, o comunista passou por constrangimentos na Câmara dos Deputados.

A oposição foi dura e disse que Silva sequer deveria estar ali, já que havia sido alijado do comando da Copa do Mundo pela própria presidente Dilma Rousseff. “Pede para sair, ministro. O senhor vai fazer um bem para o país”, afirmou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Nesta quarta, após pressão do próprio partido, Orlando Silva foi obrigado a seguir o conselho do democrata.Congresso