JHC avalia disputar o Senado e abre crise com Arthur Lira em Alagoas
Ex-prefeito de Maceió se encontrou com Lula no início da semana e acenou para a possibilidade de migrar da disputa pelo governo para a corrida ao Senado
Até então cotadíssimo para concorrer ao governo de Alagoas – e bem posicionado nas pesquisas -, o ex-prefeito de Maceió JHC voltou a considerar disputar uma cadeira no Senado, o que estremeceu mais uma vez a sua relação com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, que também mira uma cadeira na mesma Casa.
Nos bastidores, aliados de Lira classificaram a eventual mudança de planos como uma traição, já que isso embolaria ainda mais a corrida ao Senado no estado e dificultaria as pretensões do ex-chefe da Câmara.
No ano passado, JHC esteve com Lula e conseguiu emplacar a indicação de sua tia Marluce Caldas, como ministra do STJ. Na ocasião, tudo indicava que ele faria uma composição com o clã Calheiros, adversários de Lira, e disputaria o Senado. O ex-presidente da Câmara ficou bem desgostoso com o cenário desenhado naquele momento.
Meses se passaram e o bom desempenho nos levantamentos – e a articulação de Lira – o levaram de volta para a corrida ao governo.
No início da semana, JHC encontrou com Lula – horas após uma operação da PF contra supostas irregularidades em aplicações milionárias da Previdência de Maceió no Banco Master – e indicou a disposição em concorrer ao Senado, alimentando uma nova crise com Lira.
Apesar da sinalização, nada estaria decidido, dizem fontes ouvidas pelo Radar, que saíram em defesa do ex-prefeito de Maceió – alegaram que ele não pode ser acusado de traição por ninguém.
Admitem, porém, que ele realmente está avaliando migrar de disputa, mas que não sairia em uma candidatura avulsa. Marina, sua esposa, que mirava o Senado, passaria a concorrer por uma cadeira na Câmara.
Além disso, um nome de sua confiança seria escalado para a disputa pelo Palácio República dos Palmares. Tem quem diga que até a mãe dele, a senadora Eudócia, poderia herdar a missão.
O martelo, porém, só será debatido após uma conversa com o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, já que Lira teria indicado que, se JHC for adiante com a decisão, o PP poderia tirar o apoio a Ciro Gomes no Ceará.
Ainda que o ex-prefeito apareça bem nos levantamentos, lideranças alagoanas ponderam que o clã Calheiros é muito forte no interior e está com a máquina nas mãos – que ainda nem teria sido usada.
Por isso, seria muito mais negócio concorrer contra Renan Calheiros na disputa ao Senado – onde os dois mais votados serão eleitos – do que concorrer contra Renan Filho pelo governo – cenário em que apenas um se consagrará.
Ao Radar, Aécio indicou que a decisão deve ficar para o último dia. “Até agora sem definição. Alagoas é diferente . . . rs. Acho que vai ficar para sábado”.







