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Jean Wyllys vai pesquisar fake news em instituto de Harvard

Ex-deputado federal também poderá dar aulas sobre o tema durante temporada de estudos em universidade americana

O ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) será pesquisador na universidade Harvard, nos Estados Unidos, onde irá estudar fake news e discursos de ódio contra minorias sexuais e étnicas, em um projeto iniciado com a fundação Open Society. O intercâmbio irá durar um semestre acadêmico, em que ele também poderá ministrar aulas sobre o tema na instituição.

Os estudos são abrigados no Instituto de Pesquisa Afro-Latino-Americanos. A abertura do semestre será marcada por um seminário sobre “O simbolismo da raça em Cuba hoje”. O instituto, segunda sua página oficial, “estimula e patrocina bolsas de estudo sobre a experiência afro-latino-americana e oferece um fórum no qual acadêmicos, intelectuais, ativistas e formuladores de políticas se envolvem em intercâmbios e debates”.

Jean Wyllys anunciou sua temporada de estudos em Harvard em uma publicação no Instagram, com trechos da letra “Filosofia Pura”, de Jorge Pontual e interpretada por Maria Bethânia. “Quanto mais a gente ensina mais aprende o que ensinou! (…) Pois trocar vida com vida é somar na dividida, multiplicando o amor, pra que o sonho dessa gente não seja mais afluente do medo em que desaguou.”

Apesar de ter sido reeleito deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2018, Wyllys desistiu do terceiro mandato em virtude de ameaças contra sua vida. Em fevereiro, ele anunciou sua decisão de viver fora do Brasil e dedicar-se à carreira acadêmica. “Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores”, escreveu. Jean era o único deputado federal assumidamente homossexual do Congresso Nacional.

Naquela ocasião, Jean afirmou ter tomado a decisão após alguns meses vivendo sob escolta policial a partir do assassinato da vereadora Marielle Franco, que era sua correligionária. Segundo o ex-parlamentar, ele vinha sofrendo episódios de agressividade em locais públicos, que citavam notícias falsas produzidas sobre ele. Jean citou uma medida cautelar emitida pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que, segundo ele, considerava “pífia” a proteção que o Estado brasileiro oferecia a ele.