Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Inflação em ano eleitoral assombra reeleição

Alta generalizada nos preços em 2022 é um grande gargalo para os planos do presidente Jair Bolsonaro

Por Letícia Casado 6 nov 2021, 09h34

A alta generalizada nos preços em 2022 é  neste momento a principal dor de cabeça da cúpula do governo federal, que vê na inflação a maior ameaça à campanha pela reeleição do presidente Jair Bolsonaro.  “Temos que prestar atenção na inflação. E crescimento econômico. Sempre é isso, economia e energia. Eleição é economia. Basta a economia estar bem que tudo vai bem. Inflação não é fácil de resolver, mas para isso a gente tem uma equipe competente”, diz o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

O Banco Central tem aumentado a taxa de juros, em uma tentativa de conter os preços, mas a perspectiva para o cenário econômico segue pessimista. O BC reconhece que a inflação “persistente” e “disseminada” pelo país. A inflação prevista pelo mercado em 2021 é de mais de 9,1%; para 2022 a previsão tem subido e já está em 4,55%.  

Para estimular a economia, o governo aposta no pagamento do Auxílio Brasil, no valor de 400 reais para 17 milhões de famílias no próximo ano.  

“A inflação é a maior ameaça porque o controle não está sob seu poder. Vem de choques externos e o remédio prejudica a economia, com efeitos colaterais sobre emprego e produção. É uma equação difícil de fechar. Por isso o governo escolheu trabalhar pelo lado da política distributiva”, diz Leonardo Barreto, doutor em ciência política pela Universidade de Brasília. “A política distributiva não vai resolver a inflação e pode até agravar, mas ajuda os pobres a passar por ela um pouco melhor.”

“A falta de espaço orçamentário impede a formulação de novos programas que estimulem a economia no próximo ano, além do Auxílio Brasil. Isso pode paralisar o governo, que ficará dependente de fatores externos para evitar novas crises”, diz Marta Arretche, professora do departamento de ciência política da USP. “Bolsonaro pode desidratar por causa da crise econômica ou hídrica, inflação, preço do gás, da gasolina. Talvez o Auxílio Brasil ajude a recuperar um pouco a popularidade, mas na campanha ele será alvo fácil”.

Continua após a publicidade

Publicidade