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Impasse: PSDB ainda discute espaço de Serra

Caciques tucanos não fecham acordo e fazem nova reunião, com convenção para escolha da executiva nacional em curso

A convenção para a escolha da executiva nacional do PSDB, neste sábado, já está em curso, mas os caciques tucanos ainda não conseguiram pôr fim ao impasse sobre o espaço que será destinado a José Serra. Discutem o imbróglio em um hotel da capital federal o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente da sigla, Sérgio Guerra, o governador Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves. A expectativa é que o assunto fosse resolvido na noite de sexta, em uma reunião em São Paulo. O que não ocorreu.

Após dezenas de reuniões nas últimas duas semanas, Guerra conseguiu consenso para eleger os cargos de comando. O único nó continua sendo como atender ao desejo de Serra por mais espaço. Ele quer a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), mas foi vetado pela bancada de senadores, que indicou para o posto o ex-senador Tasso Jereissati.

Para tentar convencer Serra, aliados do ex-governador dizem que ele não precisa de um cargo formal. E apelam para que aceite o comando do conselho político da legenda. Ao chegar à convenção, o senador Alvaro Dias tentou minimizar o impasse. Disse que as divergências são naturais: “O PSDB é um partido que tem força para o consenso e tem força para o enfrentamento”.

Secretário de energia de Alckmin, José Anibal fez coro às declarações. “De fato, há uma disputa interna, mas acredito num consenso”, disse. “Não tem racha, vamos resolver essa situação”.

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Pelo acordo finalizado na sexta-feira, Guerra será reconduzido à presidência por mais dois anos. O deputado comanda a legenda há quatro anos e conta com a confiança tanto do grupo de Aécio Neves quanto do grupo de Serra. A primeira vice-presidência ficará com o ex-governador paulista Alberto Goldman – ele se recupera de uma cirurgia cardíaca e não irá à convenção. A secretaria-geral, visada por tucanos de São Paulo, continuará com o mineiro Rodrigo de Castro e a tesouraria permanecerá sob responsabilidade de Márcio Fortes, ligado a Serra. A executiva completa terá 45 nomes.

Guerra – Na última semanas, a disputa por cargos no comando do PSDB provocou uma guerra entre tucanos de São Paulo e de Minas Gerais, deflagrada pela insistência de Serra em ocupar a presidência do ITV. Em outro pleito, os paulistas cederam sem muita dificuldade: trocaram a secretaria-geral pela primeira vice-presidência e lá acomodaram Alberto Goldman. O grupo de Aécio sustenta que Serra minaria a unidade do partido no ITV.

A alternativa apresentada a Serra foi a presidência do conselho político, instância a ser criada amanhã. O grupo serviria como uma ante-sala da executiva, onde seriam discutidas – de forma direta – as divergências internas. Do conselho farão parte: FHC, Guerra, Alckmin, Serra, Aécio, Marconi Perillo e Tasso Jereissati. A novidade acomoda tucanos de todas as plumagens e traz esperança de tempos de menos brigas internas.

O resultado da convenção deste sábado terá reflexo sobretudo nas eleições municipais de 2012. A executiva escolhida agora dirigirá o PSDB até 2013. A direção tem pela frente o desafio de fortalecer o partido nos municípios, para garantir no ano que vem a eleição do máximo de prefeitos possível. O volume de prefeitos, por sua vez, tornará mais fáceis as disputas estaduais e presidencial em 2014. Nas eleições de 2010, Serra perdeu principalmente pela falta de bases regionais do PSDB.

A reunião marca também o esforço do maior partido de oposição do Brasil em achar um discurso unificado para fiscalizar e cobrar o governo federal, do PT. Os discursos preparados pelas lideranças estão recheados de referências à primeira crise ética do governo Dilma Rousseff, por conta do misterioso enriquecimento do ministro Antonio Palocci, e à dificuldade do governo em domar a inflação.

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