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Ideli: corte de gastos dificulta liberação de emendas

Ex-senadora, a ministra prometeu diálogo com os deputados federais

Por Luciana Marques - 15 jun 2011, 13h52

Um dia depois de ser cobrada pelos líderes da base aliada para liberar 50% das emendas parlamentares até julho, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, usou o corte de gastos do Orçamento como argumento para desencorajar a pressão dos deputados. As emendas costumam liberar recursos federais para obras em municípios e representam uma demanda frequente de prefeitos aos parlamentares.

Ideli disse que o governo deve manter o rigor nas medidas econômicas para garantir o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e o crescimento do Brasil. “O desejo é muito maior do que as possibilidades. Mas olharemos com atenção o pleito dos deputados”, afirmou após encontro com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).

Marco Maia garantiu que não haverá retaliações por parte da base aliada durante as votações no segundo semestre caso as emendas não sejam liberadas. “A ministra não pode fazer promessas que não serão cumpridas”, argumentou. O petista disse, por outro lado, que os deputados esperam ao menos um cronograma a ser definido por Ideli e pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento sobre a liberação dos valores.

Ideli reuniu-se com Marco Maia um dia depois de visitar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e de ouvir reclamações de deputados de que sua agenda estaria privilegiando os senadores. Em resposta, Ideli afirmou que terá encontros semanais com os líderes governistas na Câmara dos Deputados.

“Estarei muito presente aqui na Câmara, quase diariamente”, prometeu. Segundo a ministra, a presidente Dilma também manifestou desejo de ter contato “olho no olho” com os deputados. A presidente vem se reunindo com as bancadas dos partidos da base no Senado e deve ter encontros também com os representantes na Câmara.

Sigilo de documentos – Sobre a controvérsia a respeito do projeto que prevê o sigilo de documentos governamentais, Ideli disse que marcará encontros com a bancada do PT e de outros partidos da base no Senado para tentar convencê-los a concordar com o governo. Os senadores petistas defendem publicamente uma emenda da Câmara ao projeto. Segundo a emenda, o sigilo só pode ser renovado uma vez e documentos oficiais devem ser tornados públicos em no máximo cinquenta anos. O Palácio do Planalto quer sigilo eterno.

Ideli buscou amenizar nesta quarta o discurso feito na terça sobre o tema, a favor do sigilo eterno. “Não há sigilo eterno no projeto original, aquele que nós entendemos como adequado para aprovar”, disse. A ministra argumentou que o projeto original estabelece três critérios para a renovação do sigilo: integridade do território, segurança nacional e relações internacionais. Ideli tentou dividiu a responsabilidade pela decisão com a Comissão de Relações Exteriores do Senado, presidida por ninguém menos que Fernando Collor (PTB-AL), defensor ferrenho do sigilo eterno.

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