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Humala encontra Dilma, mas quer também apoio de Lula

Presidente eleito do Peru escolhe Brasil para iniciar agenda internacional

Por Luciana Marques - 9 jun 2011, 12h45

O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, escolheu o Brasil para sua primeira visita internacional depois da votação em seu país, no domingo. Ele foi convidado pela presidente Dilma Rousseff por telefone há três dias e, nesta quinta-feira, veio a Brasília e conversou durante uma hora e meia com a presidente no Palácio do Planalto. Mas não é só o apoio dela que Humala busca. Ele viaja ainda hoje a São Paulo, onde tem encontro marcado com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira. O presidente eleito não adiantou o tema da conversa com Lula.

Humala disse que escolheu o Brasil como primeiro destino de seu roteiro internacional porque reconhece o papel do país no contexto mundial e considera o Brasil um parceiro estratégico do Peru. Ele pretende visitar países da América do Sul e os Estados Unidos antes de tomar posse em 28 de julho.

O presidente eleito disse que se espelhará no que chamou de “exitoso crescimento econômico brasileiro” e nos programas sociais daqui. Humala também pediu ajuda no desenvolvimento de planos de segurança para combate ao narcotráfico. “Precisamos desenvolver as fronteiras do Peru, que são menos dinâmicas do que as do Brasil”, afirmou.

“O presidente Humala está muito preocupado com as questões do narcotráfico e houve uma sintonia muito grande entre os dois presidentes para desenvolver ações conjuntas”, disse o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

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O ministro admitiu que houve a ajuda de publicitários brasileiros ligados ao PT na campanha de Humala mas, segundo ele, foi de forma privada. “Em outras campanhas também houve brasileiros participando profissionalmente. Evidentemente que as boas relações que Humala mantinha com vários brasileiros, como Lula, ajuda na aproximação”, afirmou.

Energia – Sobre um acordo entre Brasil e Peru para construção de hidrelétricas na Amazônia peruana, Humala disse que é preciso avaliar primeiro os impactos sociais e ambientais da obra. “É importante que os investimentos em setores energéticos contem com a licença social. Temos de respeitar a consulta às comunidades e os estudos de impacto ambiental.”

O encontro entre Dilma e Humala ocorreu a portas fechadas. O presidente eleito não foi recebido pelo governo brasileiro com honras militares porque ainda não tomou posse. Também não teve direito de subir a rampa do Palácio do Planalto, como manda o protocolo aos chefes de estado. Dilma Rousseff prometeu comparecer à posse de Humala e o convidou para um novo encontro no Brasil ainda este ano.

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