‘Hotéis do crack’ são depredados e vaga fica mais cara

Valor, que hoje é de 480 reais mensais por hóspede, deve ser reajustado para 500 reais. Objetivo é elevar o nível de exigência de limpeza e manutenção

Por Da Redação - 1 fev 2015, 10h55

A Prefeitura de São Paulo avalia reajustar o repasse fornecido aos proprietários dos sete hotéis credenciados no programa De Braços Abertos, como forma de reparar os danos causados pelos recorrentes roubos por parte dos beneficiários. O valor, que hoje é de 480 reais mensais por hóspede, deve chegar a cerca de 500 reais. Com o reajuste, o objetivo é elevar o nível de exigência de limpeza, segurança e manutenção dos hotéis.

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Internamente, autoridades das Secretarias de Saúde, Trabalho e Assistência Social e entidades parceiras chamam de “repactuação” a necessidade de aperfeiçoamento do repasse, por causa do furto de vasos sanitários, chuveiros, colchões e fiação elétrica nos estabelecimentos. Dependentes químicos beneficiados pelo programa e proprietários confirmaram os delitos no interior dos hotéis, relatando ainda o sumiço de pertences pessoais dos moradores, como relógios, celulares e roupas.

Após o primeiro ano de implementação do programa, a proprietária Laid dos Santos, do Hotel Laid, no Largo Coração de Jesus, tem dúvidas se fez bom negócio ao abrir mão da pensão de meninas para firmar o convênio. “Não sei se valeu a pena a troca. Mesmo fazendo esforço e tendo o pessoal da Prefeitura de retaguarda, os beneficiários são difíceis”, disse. Segundo Laid, há casos de moradores que roubam lençóis para vender por 0,50 reais a unidade em troca de pedras de crack.

“Temos vontade de ter bons resultados com o programa, mas acho que a Prefeitura precisaria pagar mais do que 480 reais. É muito gasto por mês”, afirmou Laid. A reportagem esteve no local e presenciou o consumo de crack no interior de um quarto úmido, que acumulava montanhas de lixo e um colchão rasgado no chão. O teto de outro quarto, onde dormem quatro pessoas, cedeu há poucos dias e o reparo ainda não começou a ser feito.

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A beneficiária do programa e moradora do Hotel Laid, Brenda Bracho, trabalha na limpeza do estabelecimento e confirma o sumiço de lâmpadas. Segundo ela, dos 34 hóspedes, “a maioria não se dedica, fica na rua e só volta para dormir no hotel uma vez por semana”. Para Brenda, porém, o mais grave é a falta de higiene dos beneficiários.

“Eles destroem portas, janelas e camas, tiram as lâmpadas, quebram vaso sanitário, roubam os chuveiros, rasgam ou vendem os colchões”, queixou-se David Ferreira, proprietário do Hotel Lucas, na Alameda Dino Bueno.

As camas de madeira danificadas pelos moradores chegaram a ser substituídas pela Prefeitura por novas unidades feitas de ferro, que, no entanto, já voltaram a ser destruídas, afirmou o administrador. Apesar das críticas, Ferreira reconhece que em um ano de programa é visível a queda no número de assaltos e a melhora na conservação das ruas na região da Luz.

(Com Estadão Conteúdo)

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