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Hora de distribuir as joias da Esplanada

Dilma Rousseff vai precisar montar um delicado xadrez para agradar aos nove partidos de sua base aliada. Confira quais são as pastas mais valiosas e por que

Por Adriana Caitano - 12 nov 2010, 23h44

A história já é velha conhecida, se repete a cada quatro anos nos dois meses que separam a vitória nas urnas da posse do novo presidente da República. Pressionado pelos partidos que o apoiaram durante a campanha eleitoral, o vitorioso precisa gastar infindáveis horas em negociações longuíssimas para tentar cumprir uma missão que parece impossível: agradar a todos. Com Dilma Rousseff, não será diferente. Eleita por uma aliança de nove partidos (PMDB, PCdoB, PDT, PRB, PR, PSB, PSC, PTC e PTN), fora o próprio PT, a nova presidente tem de montar o xadrez da distribuição dos cargos com perícia,como quem distribui suas joias mais preciosas para parentes sedentos e cheios de ambição.

Nesse jogo, nem todos os 37 ministérios, secretarias e órgãos com status de ministério têm o mesmo peso. Ou alguém duvida que um ministério da Fazenda, por exemplo, seja muito mais valioso que uma Secretaria de Igualdade Racial? Para entender como se define o peso de cada pasta, o site de VEJA ouviu especialistas que indicaram quatro critérios:

Orçamento – Primeiro item a ser considerado, é a verba que o órgão possui para empregar em políticas públicas ou em obras de infraestrutura. “Dinheiro é poder e define a própria capacidade do gestor”, comenta o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) João Paulo Peixoto.

Ele cita o exemplo do Ministério da Fazenda, que, em 2010, teve a maior fatia do Orçamento entre os ministérios (de acordo com dados do Siafi, divulgados pela ONG Contas Abertas). “Quando você dispõe de elementos para contingenciar o orçamento, dar o rumo da economia, aumentar, diminuir tarifas de importação, tem um poder imenso”, explica.

Com o dinheiro, porém, vem também a responsabilidade. “Alguns órgãos com muita verba, como Educação e Saúde, podem também ser uma bomba por causa dos problemas que carregam” analisa Peixoto. “Ninguém pensa nisso na hora de escolher.”

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Importância política – Por isso, outro critério a ser levado em conta é a importância política. A Casa Civil, por exemplo, não tem orçamento volumoso. “Mas o chefe da pasta exerce naturalmente uma ascensão sobre todos os ministérios, por estar diretamente ligado à Presidência. É um cargo mais estratégico”, lembra o fundador e secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco.

Visibilidade – É o terceiro critério. Os ministérios do Esporte e do Turismo, por exemplo, que tiveram orçamentos reduzidos em 2010, serão visados e encorpados com robustos recursos graças à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016, que atrairão público, investimentos e olhares para o Brasil. Por isso, passam a ser joias mais valiosas no próximo governo.

Capilaridade – O último item a ser considerado é a capilaridade da atuação da pasta. Há órgãos e ministérios que, mesmo sem visibilidade ou orçamento alto, exercem influência sobre os demais e os ligam diretamente à Presidência. Nesse caso, o exemplo clássico é o do Planejamento.

O cientista político e diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Aldo Fornazieri, destaca que a estratégia de Dilma deve ser diferente da utilizada pelo presidente Lula no início de seu mandato. “Será sensato da parte dela não criar nenhum super ministro, o que causaria atritos internos e enfraqueceria sua própria imagem”, acredita. “Os ministérios precisam ter uma equipotência, um equilíbrio de forças políticas e ela deve ser o centro de seu governo, com sabedoria”.

Observando os quatro itens identificados pelos especialistas, VEJA elaborou um ranking de jóias mais valiosas da coroa de Dilma. Confira:

(Colaborou Carolina Freitas)

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