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Henrique Meirelles doa R$ 20 milhões à própria campanha

Por enquanto, a doação do ex-ministro, quinto candidato mais rico nas eleições 2018, é a maior envolvendo pessoas físicas registrada no TSE

Por Estadão Conteúdo - 23 ago 2018, 09h22

Quinto candidato mais rico do País nas eleições deste ano, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) fez uma doação de 20 milhões de reais para a própria campanha à Presidência da República. Prestação de contas feita pelo candidato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o valor foi repassado em uma única transferência eletrônica feita na segunda-feira passada.

Por enquanto, a doação de Meirelles para a própria campanha é a maior envolvendo pessoas físicas registrada no TSE. Repasses de valores maiores foram feitos, mas pelos próprios partidos a diretórios e candidatos com recursos públicos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundo eleitoral.

Esta é a primeira eleição geral em que os candidatos estão proibidos de arrecadar dinheiro de empresas para custear as campanhas. Apenas pessoas físicas podem realizar doações, ainda assim limitadas a 10% do rendimento do ano anterior. No entanto, os próprios candidatos foram autorizados a bancar a totalidade de seus gastos, por meio do chamado autofinanciamento, até o limite para cada cargo em disputa. A regra beneficia os candidatos mais ricos. No caso de presidente da República, o teto de gastos é de R$ 70 milhões no primeiro turno e de 35 milhões de reais no segundo turno da eleição.

Adversário de Meirelles na corrida ao Palácio do Planalto, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) já recebeu 43,3 milhões de reais do fundo especial do PSDB, que detém cota de 185,8 milhões de reais do total de 1,7 bilhão de reais destinado ao financiamento público de campanhas eleitorais neste ano.]

O MDB de Meirelles é o partido que possui a maior fatia do fundo eleitoral (234,2 milhões de reais). A cúpula da legenda, no entanto, já havia sinalizado que não repassaria parte desse dinheiro para a campanha presidencial do ex-ministro da Fazenda, que aparece com apenas 1% nas mais recentes pesquisas de intenção de voto.

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Ao registrar sua candidatura, Meirelles declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de 377,4 milhões de reais, o quinto maior entre todos os 28.125 candidatos do país que disputam mandatos eletivos nestas eleições. Do total de bens declarados pelo ex-ministro, 283 milhões de reais são em ações e 58,8 milhões de reais em fundos de investimentos.

O segundo colocado no ranking de doadores pessoa física é o empresário colombiano radicado no Brasil Carlos Amastha (PSB), que doou 1,45 milhão de reais para a própria campanha ao governo de Tocantins.

Amastha deixou a prefeitura de Palmas há dois meses para concorrer na eleição suplementar no Estado convocada após a cassação do ex-governador Marcelo Miranda (MDB) e da vice dele, Cláudia Lelis (PV). Na ocasião, o pessebista gastou 2,4 milhões de reais do próprio bolso, mas acabou nem indo para o segundo turno. A disputa pelo mandato-tampão foi vencida por Mauro Carlesse (PHS).

Na sequência dos maiores doadores pessoa física aparece Oswaldo Stival Júnior, que repassou 1,45 milhão de reais à campanha de Amastha. Stival é candidato a vice-governador do Tocantins na chapa do pessebista.

Empresário

Em seguida na lista está o empresário Nevaldo Rocha, que doou 1 milhão de reais à campanha do candidato a deputado federal Gabriel Rocha Kanner (PRB). Nevaldo é pai do também empresário Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo, que desistiu da candidatura à Presidência após seu partido, o PRB, fechar apoio a Alckmin — ele, no entanto, declarou voto em Jair Bolsonaro (PSL).

Entre os partidos, as maiores movimentações financeiras foram registradas até agora por MDB (230,9 milhões de reais), PSDB (229,2 milhões de reais) e PSD (118,5 milhões de reais). Os repasses foram feitos com recursos do fundo especial de campanha. Já entre os maiores gastos informados ao TSE, além de 20,4 milhões de reais de doações financeiras a outros candidatos, está publicidade com material impresso (3,15 milhões de reais).

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