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Haddad vê “contradição” na atual política econômica do governo Dilma

Em entrevista a jornal, prefeito de São Paulo afirmou que é preciso recalibrar a economia do país e que aguarda recursos federais para cumprir promessas de campanha

Com dificuldades de levantar caixa para tirar promessas de campanha do papel, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), fez uma crítica sutil à política econômica adotada pelo governo Dilma Rousseff em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo nesta sexta-feira. Ele afirmou ver uma “contradição” nos ajustes simultâneos da política econômica e da fiscal conduzidos pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como o aumento dos juros combinado com a redução dos investimentos.

“O governo se colocou dois objetivos: trazer a inflação para o centro da meta e estabilizar a relação dívida/ PIB. De um lado, adotou uma política monetária mais austera e, de outro, uma política fiscal austera. A minha percepção é a de que existe uma contradição. O governo não conseguirá promover as duas coisas simultaneamente. A política monetária está corroendo a política fiscal. Tem que recalibrar”, disse Haddad. Apesar de pedir mudanças, o prefeito disse não considerar Levy como um “obstáculo” para fazer uma revisão na política econômica.

Com a popularidade em baixa entre os paulistanos, o petista – que disse ter sido escolhido por Lula por “ter cara de tucano” – explicou que não cumpriu parte das suas promessas porque não recebeu repasses do governo federal. “As mais difíceis são as que dependem de recurso federal. Assim que tivermos sinal verde, daremos curso a esses empreendimentos. Perguntado se Dilma dá a “importância necessária a São Paulo”, ele respondeu: “Eu diria que tem uma janela de oportunidade que não está sendo percebida com a devida atenção”.

Com as pesquisas de opinião apontando chances cada vez mais remotas de reeleição em 2016, Haddad citou, conformado, os exemplos de derrotados em eleições passadas da capital. “São Paulo é mais conhecida por quem derrotou do que por quem elegeu, né? Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin, Serra e Marta já perderam. Até hoje ninguém foi eleito e reeleito”.

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(Da redação)