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Haddad se reúne com pastores e pede apoio para combate às fake news

Candidato do PT se apresentou como alguém que 'abraçou o cristianismo' e prometeu defender liberdade religiosa

Por Guilherme Venaglia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 17 out 2018, 16h02 - Publicado em 17 out 2018, 13h53

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, se reuniu com pastores evangélicos simpáticos a sua candidatura na manhã desta quarta-feira, 17, e pediu ajuda no combate ao que identifica como notícias falsas, fake news, contra a sua candidatura. Segundo o petista, os boatos têm sido divulgados por aliados de seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL).

“Não adianta nada eu obter vitórias no Tribunal [Superior Eleitoral] se as pessoas impactadas por essas mentiras não ficarem sabendo disso”, afirmou após o encontro, em referência ao julgamento do TSE que determinou a retirada de publicações que o acusam de distribuir materiais sexuais para estudantes de 6 anos em escolas públicas. “Tem que deixar claro que não é pelo WhatsApp do meu adversário que vocês vão me conhecer”, completou.

No evento, Haddad se comprometeu a “não impor” posições em temas como o aborto e em defender a liberdade religiosa. “O Estado laico não é aquele que vira as costas para as crenças, mas o que abraça todas essas crenças”, disse.

Originado de uma família de cristãos ortodoxos do Líbano, o candidato do PT disse que não só foi educado como cristão, mas “abraçou o cristianismo” em sua vida. O público evangélico tem se mostrado, nas últimas pesquisas, o principal obstáculo de Haddad, dada a larga margem de vantagem que Bolsonaro apresenta nas intenções de voto dentre esses eleitores.

Simultaneamente ao evento, Haddad divulgou uma “carta aberta ao povo de Deus”, documento em que cita provérbios bíblicos sobre mentiras e volta a sua carga contra as notícias falsas.

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“Desde as eleições de 1989, o medo e a mentira são semeados entre o povo cristão contra candidatos do PT. Comunismo, ideologia de gênero, aborto, incesto, fechamento de igrejas, perseguição aos fiéis, proibição do culto: tudo o que atribuem ao meu futuro governo foi usado antes contra Lula e Dilma. As peças veiculadas, de baixo nível, agridem a inteligência das pessoas de boa vontade, que não se movem pelo ódio e pela descrença”, diz trecho do documento.

Ao encontro compareceram sobretudo pastores já ligados ao PT e à esquerda, agregados à Frente Evangélica pelo Estado de Direito, formada em 2016 para combater o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Estamos aqui reunidos porque a pauta moral, o engano e a mentira se tornaram um meio de fazer política que deve ser combatido. O candidato Haddad não está pregando o ódio nem a violência”, afirmou o pastor Ariovaldo Ramos, que coordena o grupo.

Entre os presentes, pastores ligados a diversas igrejas, como presbiteriana, metodista, anglicana e da Assembleia de Deus. No entanto, não foram ao encontro lideranças de grandes denominações neopentecostais, que apoiaram o PT em pleitos anteriores e, neste ano, aderiram a Jair Bolsonaro.

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Questionado por VEJA, Ariovaldo Ramos ressaltou a opção de não realizar o evento desta quarta em uma igreja. “Temos pastores de diversas denominações e, além disso, não podemos transformar igrejas em palanques, não é o correto”, argumentou. Outra organizadora do evento foi a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), ex-governadora do Rio e uma das principais interlocuções petistas entre os evangélicos.

Leia a íntegra da carta de Haddad aos evangélicos

Carta aberta ao Povo de Deus

Queridos irmãos, queridas irmãs,

O Senhor odeia os lábios mentirosos,

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mas se deleita com os que falam a verdade.

Provérbios 12:22

Quero me dirigir diretamente ao povo evangélico neste momento tão decisivo da vida de nosso Brasil, cujo futuro será decidido democraticamente nas urnas no próximo dia 28.

Para estar no segundo turno, tive que vencer uma agressiva campanha baseada em mentiras, preconceitos e especulações massivamente espalhadas pelo WhatsApp e outras redes sociais, contra mim e minha família.

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“Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos” (Provérbios 6:16-19).

Desde as eleições de 1989, o medo e a mentira são semeados entre o povo cristão contra candidatos do PT. Comunismo, ideologia de gênero, aborto, incesto, fechamento de igrejas, perseguição aos fiéis, proibição do culto: tudo o que atribuem ao meu futuro governo foi usado antes contra Lula e Dilma. As peças veiculadas, de baixo nível, agridem a inteligência das pessoas de boa vontade, que não se movem pelo ódio e pela descrença.

“Ó Deus, a quem louvo, não fiques indiferente, pois homens ímpios e falsos dizem calúnias contra mim e falam mentiras a meu respeito” (Salmos 109:1-2). Que provas tenho a oferecer para desmentir quem usa meios tão baixos para enganar, fraudar a vontade popular?

Minha vida, em primeiro lugar: sou cristão, venho de família religiosa desde meu avô, que trouxe sua fé do Líbano quando migrou para o Brasil para construir vida melhor para sua família. Sou casado há 30 anos com a mesma mulher, Ana Estela, minha companheira de jornada que criou comigo dois filhos, nos valores que aprendemos com nossos pais. Sou professor, passaram por minhas mãos milhares de jovens com os quais aprendi e ensinei meus sonhos de um Brasil digno e soberano.

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Minha vida pública, em segundo lugar: minha atuação, como Ministro da Educação e como Prefeito de São Paulo, fala por mim. Abri as portas da educação para os mais pobres, das creches – nas quais o governo federal passou a investir pesadamente em minha gestão – à Universidade. Antes do Pro-Uni, do FIES sem fiador, do ENEM, da criação de vagas em instituições públicas e gratuitas de ensino e das cotas raciais, o ensino superior era inacessível para jovens negros, trabalhadores e da periferia. Busquei humanizar a metrópole que me foi confiada, buscando inovações para ampliar os direitos, à moradia, à mobilidade urbana, ao meio ambiente sadio, à convivência fraterna.

Sempre contei, no MEC ou na Prefeitura de São Paulo, com a parceria com todas as denominações religiosas. Tratei a todas de forma igualitária. Os governos Lula e Dilma, bem como nossos governos estaduais e municipais, sempre reconheceram dois pilares do Estado democrático: é laico e, como tal, não privilegia nem discrimina ninguém em razão de sua religiosidade. Nenhuma Igreja foi perseguida, o direito de culto sempre foi assegurado, a liberdade de expressão também. Nenhum dos nossos governos encaminhou ao Congresso leis inexistentes pelas quais nos atacam: a legalização do aborto, o kit gay, a taxação de templos, a proibição de culto público, a escolha de sexo pelas crianças e outras propostas, pelas quais nos acusam desde 1989, nunca foram efetivadas em tantos anos de governo. Também não constam de meu programa de governo.

“Acautelai-vos quanto aos falsos profetas. Eles se aproximam de vós disfarçados de ovelhas, mas no seu íntimo são como lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis. É possível alguém colher uvas de um espinheiro ou figos das ervas daninhas? Assim sendo, toda árvore boa produz bons frutos, mas a árvore ruim dá frutos ruins.” (Mateus 7:15-17).

Os frutos que quero legar ao Brasil como Presidente são a justiça e a paz. Emprego para milhões de desempregados e desempregadas poderem sustentar com dignidade suas famílias. Salário justo, com direitos que foram eliminados pelo atual governo e que serão trazidos de volta com a anulação da reforma trabalhista, e o direito à aposentadoria, ameaçado pela reforma da Previdência apoiada pelo atual governo e meu adversário.  “Aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.” (Isaías 1:17)

Quero governar o Brasil com diálogo e democracia, com a participação de todos e todas que se disponham a doar de seu tempo e talentos na construção do bem comum. Um governo que promova a cultura da paz, que impeça a violência, que nunca use da tortura e da guerra civil como bandeiras políticas. Que una novamente a Nação brasileira, para que volte a ser vista com esperança pelos mais pobres e com respeito pela comunidade internacional.

Apresento-me, pois, diante dos irmãos e irmãs das mais variadas denominações cristãs, com a sinceridade e honestidade que sempre presidiram minha vida e meus atos. A Deus, clamo como o salmista: “guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em ti o tempo todo.” (Salmos 25:5). E a vocês, peço justiça, a justa apreciação de meus propósitos e o voto para concretizar essas intenções num governo que traga o Brasil aos caminhos da justiça, da concórdia e da paz.

Fernando Haddad

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