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Haddad recicla propostas de Marta para São Paulo

Sem Lula, candidato do PT à prefeitura da capital paulista lança programa de governo com ideias apresentadas pela então candidata petista em 2008

Por Thais Arbex 13 ago 2012, 17h34

Ausente da campanha do PT à prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy foi colocada em lugar de destaque na apresentação feita por Fernando Haddad de seu programa de governo para a capital paulista, nesta segunda-feira. Acostumado com as longas falas de professor universitário, durante duas horas o ex-ministro de Lula mostrou a uma plateia de cerca de 500 pessoas, que ocupavam um auditório de uma universidade privada, no centro da cidade, propostas para, segundo ele, “ganhar o coração dessa cidade”. Muitas delas, porém, apesar de apresentadas como novidade, não são novas: foram recicladas do plano de governo apresentado em 2008 pela então candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy.

A construção de novas unidades dos Centros Educacionais Unificados (CEU), a adoção de um plano de desenvolvimento para a Zona Leste de São Paulo, a expansão dos corredores de ônibus, a implantação do Vai e Volta, programa de transporte escolar gratuito e a viabilização de um projeto de fornecimento de banda larga gratuita para toda a cidade são algumas das ideias que voltam ao programa petista para a capital paulista quatro anos depois de terem sido apresentadas por Marta Suplicy.

A ampliação do Bilhete Único, vitrine da gestão Marta (2001-2004), também prevista pela candidata, foi outra proposta reutilizada. “O Bilhete Único mensal será uma revolução na cidade. Para o trabalhador e para o estudante, será incrível”, disse Haddad. Segundo o candidato, a ideia é que, com validade temporal definida, o “usuário realize quantas viagens desejar nesse período”. Em 15 de agosto de 2008, quando apresentou o seu programa de governo, Marta já havia citado o plano: “O que nós estamos estudando é que o Bilhete Único possa valer uma semana, um mês. A pessoa compra o bilhete com um desconto grande e pode usar quantas vezes ela quiser. Está em estudo e é nossa intenção. É como nós vemos em outros países. Você pode usar quantas vezes quiser. Você compra por semana ou por mês”, disse a candidata na época.

Parcerias com Dilma Afirmando que o “pressuposto de sua candidatura” é “a forte parceria e interação com o governo federal”, Haddad prometeu, se eleito, investir ao menos 20 bilhões de reais em obras viárias na cidade com a ajuda do governo Dilma. “Cada centavo que for de São Paulo nós vamos lá em Brasília buscar. Essa visão de recusar parceria federativa por divergência político-partidária é a coisa mais atrasada.”

O petista também evocou ainda parcerias com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e o Minha Casa, Minha Vida, vitrines do governo Dilma. “Vamos trazer para São Paulo o que é de direito dos paulistanos”, disse.

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Com críticas ao PSDB, partido de seu principal adversário, José Serra, o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Haddad afirmou que as parcerias com o governo federal não são realizadas na capital paulista porque “eles têm preconceito com as parcerias”. O petista criticou ainda “o ritmo tucano de governar”. A cada eleição, disse ele, a administração do PSDB “distribui tapumes pela cidade” para dar a impressão de que “está investindo no metrô”.

Ausência de Lula – Embora os assessores do petista tivessem, desde a semana passada, a expectativa de que, liberado pelos médicos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estivesse no lançamento do programa, entrando oficialmente na campanha do afilhado em São Paulo, Lula não compareceu ao evento. O ex-presidente concentrará sua presença nos programas de televisão. Para isso, passará a semana nos estúdios do marqueteiro João Santana, gravando para o programa de Haddad e de petistas de todo o país.

“Comparamos ele a um atleta que acaba de se recuperar de uma lesão. Será que já o escalamos de cara ou é melhor esperar ele se recuperar de vez?”, afirmou o ex-ministro Paulo Vannuchi, hoje diretor do Instituto Lula e uma das pessoas mais próximas do ex-presidente. A previsão é que Lula vá para a rua com Haddad na próxima semana. Os petistas contam com a presença do ex-presidente para alavancar a candidatura do ex-ministro da Educação, que segue estagnado em um dígito nas pesquisas eleitorais.

Lula também participará das campanhas petistas no ABC paulista, em Belo Horizonte e em Recife.

Apresentação – A apresentação do programa de governo de Fernando Haddad, cujo mote é o “arco do futuro”, desenvolvendo a periferia de São Paulo em torno de grandes vias da cidade, foi interativa e em alta definição, usando imagens de satélite para retratar a capital paulista. Criada pelo marqueteiro João Santana, a apresentação deu uma mostra do que será o programa de televisão do petista, que estreia no dia 21 de agosto.

Na plateia, além de pessoas que participaram direta ou indiretamente da elaboração do plano de governo, estavam os deputados federais petistas Paulo Teixeira, Cândido Vaccarezza, Carlos Zaratinni e Jilmar Tatto, líder no PT na Câmara. O deputado Vicente Cândido, coordenador do programa de governo de Haddad, e o senador Eduardo Suplicy, acompanharam o evento do palco.

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