Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Haddad quer cercar Cantareira para evitar invasões

O prefeito de São Paulo afirmou em evento nesta sexta-feira que a medida visa barrar a construção de moradias de forma irregular, como tem ocorrido, e servirá como contrapartida das obras do trecho norte do Rodoanel

Por Da Redação 18 Maio 2013, 10h00

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou na sexta-feira que pretende colocar muros ou grades no entorno do Parque Estadual da Cantareira. Segundo o prefeito, a ideia é reduzir os impactos do trecho norte do Rodoanel, em construção desde março, e evitar invasões como as que vêm acontecendo na região nas últimas décadas, com a construção de favelas e até mansões sem autorização. A proposta foi aprovada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), em evento na sede da prefeitura no qual foi anunciado o aumento nas tarifas de metrô, trem e ônibus.

Segundo o petista, a intenção é cercar o perímetro de quase 40 quilômetros da área verde, uma das poucas reservas de Mata Atlântica remanescentes em São Paulo, e serviria como contrapartida da obra rodoviária, que causa controvérsia entre ambientalistas. “É um investimento que, na minha opinião, seria de grande valia para a cidade de São Paulo e para a região metropolitana, já que se trata de um patrimônio da humanidade”, afirmou Haddad. O governador gostou da proposta e disse que avaliará o gasto necessário para a implementação. “É a lógica da compensação ambiental: você sempre trazer um benefício a mais para a população”, disse Alckmin.

Não ficou claro se a medida trará despesas extras à obra do trecho norte, que, de acordo com a Dersa (responsável pela construção), custará 5,6 bilhões de reais, entre construção, compensações ambientais, desapropriações e ações complementares. O percurso desse ramal do Rodoanel será de 44 km, com conclusão prevista para 2016. Por enquanto, as compensações ambientais desse empreendimento giram em torno de ações como o plantio de 1,7 milhão de mudas de espécies nativas e o pagamento de 24,3 milhões de reais pela Lei do Sistema Nacional de Unidade de Conservação.

Reserva – Com 7.900 hectares, o Parque Estadual da Cantareira fica entre São Paulo, Caieiras, Mairiporã e Guarulhos. Segundo a Secretaria Estadual do Verde, é tido como uma das maiores florestas urbanas do mundo. Em 1994, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o classificou como parte da reserva da biosfera do cinturão verde da cidade de São Paulo, onde está a maior porção do Cantareira.

Para o ambientalista Maurício Waldman, doutor em geociências pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a discussão sobre a instalação de grades ou muros no entorno do Cantareira é “inócua”. “As pessoas precisam começar a pensar em um processo de ocupação do espaço mais decente e não ficar falando em paliativos, como colocar cerca.” Ele lembra que o cercamento de áreas por onde passam vias, sejam elas férreas ou rodoviárias, muitas vezes não funciona. “O processo de invasão vai continuar ocorrendo.”

(Com Estadão Conteúdo)

Continua após a publicidade
Publicidade