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Haddad nega discussão de transferência, mas foca redutos lulistas

O virtual substituto de Lula em caso de impedimento no TSE faz périplo pelos estados onde o ex-presidente tem o melhor desempenho

Por Da Redação - Atualizado em 29 Aug 2018, 16h03 - Publicado em 29 Aug 2018, 15h19

Apesar de cumprir uma intensa agenda em busca de votos nas regiões que concentram a maior parcela de votos lulistas, o ex-prefeito Fernando Haddad, indicado a vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta quarta-feira que o PT ainda não trabalha com a possibilidade de transferência de votos.

Haddad passou a semana passada toda em viagem ao Nordeste, região em que Lula tem seu melhor desempenho, para associar seu nome ao do ex-presidente. Nesta quarta, o PT divulgou nas redes sociais um vídeo com uma compilação de momentos de Haddad na região com o título “Lula e Haddad pelo Nordeste”.

Segundo a última série de pesquisas Ibope divulgada na semana passada, o ex-presidente tem pelo menos 50% das intenções de voto em todos os estados da região. O maior índice é no Piauí, onde Lula tem 65% da preferência. O governador petista do estado, Wellington Dias, disse que o PT fará a campanha com foco no número 13, como forma de garantir a transferência de votos.

No caso de negativa do registro da candidatura do ex-presidente, que por ter sido condenado em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro tende a ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, Haddad deve assumir a candidatura, e o PT trabalha sua imagem para torná-lo conhecido como homem de Lula.

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O ex-prefeito, entretanto, tem se esquivado em todas as oportunidades de se assumir como substituto de Lula. “Não estamos trabalhando com essa hipótese nesse momento. Não vamos nos antecipar a uma decisão que não está tomada. O TSE que tem que se manifestar se vai atender a ONU”, disse Haddad.

Há dez dias, o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, órgão formado por especialistas independentes, divulgou um texto em que pede que seja autorizado o registro da candidatura Lula e que o ex-presidente possa dar entrevistas e ter acesso a companheiros de partido, sob pena de “dano irreparável a seus direitos políticos”. Como o Brasil é signatário do tratado que deu jurisdição ao comitê sobre direitos civis e políticos, o PT usa essa recomendação como defesa do registro da candidatura.

Nas pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas na semana passada, em que Haddad aparece como candidato, ele soma 4% das intenções de voto. O levantamento do Datafolha mostrou, ainda, que 31% dos entrevistados votariam com certeza em um candidato indicado por Lula.

Já o Ibope mostrou que Haddad, Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) são os principais herdeiros dos votos de Lula. O instituto também indica que, caso o ex-prefeito seja indicado por Lula, apenas 13% votaria no petista, enquanto 60% afirmou que não votaria em Haddad de jeito nenhum.

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O ex-prefeito confirmou que a defesa de Lula no TSE será apresentada na quinta-feira, em Brasília. A previsão no tribunal é que uma decisão seja tomada na semana que vem, entre os dias 4 e 6 de setembro, depois, portanto, do início do horário eleitoral e um mês antes do primeiro turno da eleição.

(Com Reuters)

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