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Haddad gasta R$ 15 mi para guardar uniformes escolares da gestão Kassab

Custo para manter as peças de roupa armazenadas em caixas seria suficiente para construir três creches; prefeitura negou que os uniformes estejam sem uso

A gestão do prefeito de São paulo, Fernando Haddad (PT), vai gastar 15 milhões de reais até o fim do ano para guardar 156,5 toneladas de uniformes escolares herdados do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). As peças de roupas e os pares de tênis ficam embalados e encaixotados em um depósito da Integra, em Guarulhos, na Grande São Paulo. A empresa tem contrato com a Secretaria Municipal de Educação desde 2014 para armazenar também material escolar e 10.000 móveis que não são usados.

Os recursos gastos seriam suficientes para construir três creches, segundo o preço médio de licitação do ano passado. Nas caixas constam os anos em que os itens chegaram à rede: 2010, 2011, 2012 e 2013. As peças têm detalhes em azul e verde, marcas da gestão passada. Os uniformes da atual administração são em azul escuro.

Nos três contratos de armazenamento assinado pelo ex-prefeito, o custo foi de 2 milhões de reais, segundo auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM). A gestão Haddad informou que o atual valor é superior ao acordado por Kassab porque a antiga gestão negociava separadamente os serviços de armazenamento, manipulação e entrega dos itens.

Procurada, a Secretaria Municipal da Educação negou que os uniformes estejam sem uso e informou que as caixas contêm itens que tinham defeitos, foram corrigidos pelo fabricante e novamente estocados. Segundo a pasta, nesta semana foi feito um “procedimento jurídico e administrativo” para doar as roupas à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.

Para evitar que as roupas sejam esquecidas em estoques, o vereador Gilberto Natalini (PV), que inspecionou o local na última segunda-feira, pretende apresentar um projeto de lei para padronizar a indumentária na rede municipal. “São toneladas de roupas e tênis condenadas à morte. Estou estudando uma medida judicial responsabilizando os administradores públicos por não usar o material servível só porque a cor é diferente”, disse o parlamentar.

Natalini vai acionar o Ministério Público Estadual (MPE) para questionar a decisão da gestão Haddad de manter o material parado. Procurado, o órgão informou que aguarda ter conhecimento da denúncia para instaurar inquérito civil no qual pode investigar se há crime de improbidade administrativa.

Enquanto o material ficar parado em galpões contratados pela prefeitura, pais e mães de estudantes da rede municipal dizem que as roupas seriam bem-vindas, mesmo em cores diferentes. “Criança brinca e sempre rasga uma roupa. Eu não teria problema nenhum em aceitar porque essas roupas não estão velhas. E é o dinheiro do povo que está lá parado”, disse o entregador Ernesto Rodrigo Rosa, de 36 anos, morador da Casa Verde, na Zona Norte.

A Secretaria Municipal da Educação informou que, no ano passado, foram entregues dos itens herdados da gestão Kassab 9.927 kits de uniforme. A administração petista afirmou também que está adquirindo mais 600.000 peças para atender à demanda da rede.

A assessoria de Kassab informou que os uniformes estavam nas unidades de ensino como “reserva técnica”, e, na ainda antiga gestão, a prefeitura solicitou que eles fossem devolvidos para a secretaria a fim de estocá-los. “Os itens foram inventariados e as informações foram repassadas à então equipe de transição da atual administração, que, entendemos, deve explicar, três anos e quatro meses depois de iniciada, por que não usou os uniformes herdados”, afirmou, em nota, a assessoria de Kassab.

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(Com Estadão Conteúdo)