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Hacker diz que não editou mensagens de membros da Lava Jato

Em depoimento à PF, Walter Delgatti Neto afirmou acreditar que formato do Telegram não permite alteração dos conteúdos obtidos

Por André Siqueira - Atualizado em 26 jul 2019, 19h42 - Publicado em 26 jul 2019, 19h12

Em depoimento à Polícia Federal (PF) obtido por VEJA, Walter Delgatti Neto, conhecido como “Vermelho”, afirmou que não editou as mensagens de membros da Operação Lava Jato antes de repassá-las ao site The Intercept Brasil. Preso na Operação Spoofing sob suspeita de ter hackeado autoridades, entre elas o ministro Sergio Moro (Justiça), ele também afirmou acreditar não ser possível fazer a edição das mensagens do Telegram em razão do formato utilizado pelo aplicativo.

Delgatti Neto afirma ter procurado o jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do The Intercept Brasil, por seu envolvimento no caso Edward Snowden. O hacker também ressaltou que o compartilhamento com o site foi voluntário e gratuito.

Em seu depoimento à Polícia Federal, ele detalhou como chegou ao telefone de autoridades. Ele conta que o primeiro celular invadido foi o do promotor Marcel Zanin Bombardi, de Araraquara (SP), que o denunciou por tráfico de medicamentos de uso controlado.

No telefone de Bombardi, Delgatti teve acesso ao telefone de um procurador da República, de quem não recorda o nome, que participava de um grupo chamado “Valoriza MPF”. Pela agenda de um dos integrantes, ele descobriu o número do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP).

Através do celular do parlamentar, o hacker chegou ao número do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A invasão ao aparelho de Moraes forneceu a Delgatti Neto o telefone do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, através de quem ele conseguiu o número de membros da força-tarefa da Lava Jato, como os procuradores Deltan Dallagnol, Orlando Martello Júnior e Januário Paludo.

Segundo Delgatti Neto, o acesso aos telefones das autoridades ocorreu entre março e maio de 2019, e que somente armazenou o conteúdo das conversas dos membros do Ministério Público do Paraná, porque, em sua avaliação, constatou “atos ilícitos” nas conversas registradas.

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