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Vice-líder: Regime diferenciado de policiais deve ficar para hora oportuna

Guilherme Derrite (PP-SP) afirma que Reforma da Previdência é prioridade; outras reivindicações da categoria devem ficar para segundo semestre

Por André Siqueira - Atualizado em 3 jul 2019, 21h30 - Publicado em 3 jul 2019, 19h20

Um dos vice-líderes do governo na Câmara, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) defende que a discussão sobre flexibilização nas regras de aposentadoria de agentes da segurança pública fique para um “momento mais oportuno”. Capitão da Polícia Militar, Derrite afirma que vai trabalhar para “conscientizar” os deputados do PSL de que, caso as demandas da classe possam comprometer o cronograma de votação da reforma estipulado pelo governo, a discussão seja retomada no segundo semestre.

“Talvez não seja o melhor momento de se discutir as peculiaridades da carreira [de policiais federais, rodoviários federais e civis] e suas implicações no regime previdenciário. Vamos aprovar logo a reforma da Previdência e, posteriormente, a gente tenta colocar em pauta e aprovar os pleitos daqueles que representam determinadas categorias”, disse Derrite a VEJA.

As três categorias, que encabeçam o movimento, reivindicam os mesmos direitos dos policiais militares estaduais, cujas regras não serão tratadas neste momento da tramitação do texto, porque são equiparadas às dos militares das Forças Armadas, que serão discutidas em outro projeto. “Defendo que o texto seja aprovado da maneira como veio do governo, inclusive, incluindo estados e municípios. Todos precisam ceder”, acrescentou o vice-líder.

“Já que estados e municípios hoje estão fora, há questões nas aposentadorias dos agentes de segurança pública que são de competência estadual, como alíquotas, regras específicas de aposentadoria”, explicou.

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A parte da bancada do PSL na Câmara que é composta por policiais e ex-policiais ameaça não votar a favor da reforma da Previdência se as regras de aposentadoria para as categorias não forem flexibilizadas. Derrite minimizou a ameaça de parte da bancada. “O que vejo são pequenas falas isoladas. Isso [ameaça] não existe, até pela disciplina dos militares”, afirmou. Na avaliação do parlamentar, contudo, a divisão na bancada ocorre porque alguns deputados defendem, “legitimamente”, categorias fundamentais para suas eleições.

Nesta quarta-feira, 3, na chegada ao evento de passagem do Comando Militar do Sudeste, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro disse a um grupo de policiais militares: “Vou resolver o caso de vocês, viu?”. Nesta terça-feira, 2, Bolsonaro foi chamado de “traidor” por policiais por ter indicado que não insistiria nas concessões à classe na reforma.

Questionado se o aceno de Bolsonaro aos militares poderia ser visto como privilégio por quem é contra a reforma, o deputado do PP foi enfático: “Qual carreira tem uma morte de profissional por dia? É privilégio trabalhar e contribuir por 35 anos, não ter adicional noturno, não ter fundo de garantia, não ter direito a greve? O militar estadual morre, em média, com 58 anos de idade, por conta do desgaste da carreira, então, é um absurdo dizer que militares têm privilégios”.

O deputado do PP foi anunciado como vice-líder do governo no dia 9 de maio, por indicação do líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Trabalhando no relacionamento com o Congresso há pouco menos de dois meses, Guilheme Derrite reconheceu “certa dificuldade” do governo no começo do mandato, mas projetou “um avanço para o próximo semestre”. Na opinião do parlamentar, a peça central para esta evolução é o general Luiz Eduardo Ramos, novo ministro da Secretaria de Governo.

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“Essa missão estava atribuída ao ministro [da Casa Civil] Onyx Lorenzoni, e vai para o general Ramos, que, por ter sido assessor parlamentar enquanto oficial do Exército, por suas características pessoais de liderança, de relacionamento interpessoal, por ser uma pessoa extremamente agradável, acho que a tendência é que melhoremos esse diálogo com o Parlamento”, disse.

Derrite não criticou a atuação de Lorenzoni, mas afirmou a VEJA que “ele sofre muita resistência no Parlamento porque muitos deputados foram deputados com ele”. O vice-líder também minimizou as ressalvas feitas por parlamentares ao ministro da Economia Paulo Guedes, a quem atribuem falta de tato político. “Ele é um homem técnico, com carreira brilhante e, para mim, por isso, não tem a obrigação de fazer política com ninguém. Lógico, se ele fizesse seria melhor, mas o papel de interlocução política não cabe a ele”.

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