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Grupo de transição de Bolsonaro terá economistas, militares e condenado

Entre ministro e 27 assessores anunciados, não consta nome de nenhuma mulher; futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni comandará os trabalhos em Brasília

Nesta segunda-feira 5, foi anunciada oficialmente a lista de 28 nomes que vão compor, no primeiro momento, o gabinete de transição da gestão do presidente Michel Temer (MDB) para o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). A lista inclui quatro dos cinco ministros já anunciados. O futuro chefe da Casa Civil, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), assumiu o posto de ministro extraordinário da transição.

Além dele, passam a trabalhar desde já outros três futuros integrantes da Esplanada: general Augusto Heleno (Defesa), Paulo Guedes (Economia) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia). Indicado para a pasta de Justiça e Segurança Pública, o juiz federal Sergio Moro não faz parte da lista. Ele tirou férias para se juntar ao grupo em Brasília, mas só vai se exonerar da magistratura em dezembro.

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Na lista, publicada em edição extra do Diário Oficial de União, estão economistas que comporão a equipe de Guedes, assessores militares ligados a Augusto Heleno e alguns políticos, como o ex-presidente do PSL Gustavo Bebianno, advogado ligado a Bolsonaro e cotado para assumir uma pasta.

Outro integrante do partido, o deputado federal eleito Julian Lemos (PSL-PB), é alvo de controvérsias, uma vez que foi condenado por estelionato em 2011 em virtude de um contrato assinado com o governo da Paraíba, como informa o Radar. Até o momento, nenhuma mulher foi indicada.

Veja abaixo a lista completa com os perfis, currículos e salários dos nomes indicados para compor a transição do governo Bolsonaro. O presidente eleito dispõe de até cinquenta vagas, sendo que Lorenzoni é uma posição adicional e os que se colocaram de forma voluntária também não são contabilizados.

Ministros

Onyx Lorenzoni – Ministro extraordinário da transição e futuro ministro-chefe da Casa Civil

Salário: 16.215,22 reais (nível VI) que não receberá, pois não pode acumular com vencimentos de deputado federal

Deputado estadual pelo Rio Grande do Sul entre 1995 e 2003 e deputado federal desde 2003, reeleito para assumir mais um mandato em fevereiro. Foi duas vezes candidato a prefeito de Porto Alegre, em 2004 e 2008, ficando em terceiro e quinto lugar respectivamente. Relatou, na Câmara, o pacote de projetos conhecido como “10 medidas contra a corrupção”. Em 2017, foi delatado por executivos da JBS sob a acusação de caixa 2. Ele admitiu não ter declarado o valor recebido, mas diz que este foi inferior aos 200.000 reais que o executivo Ricardo Saud, da empresa, afirmou ter pago em sua colaboração com a Justiça.

Augusto Heleno Ribeiro Pereira – Futuro ministro da Defesa

Salário: 16.215,22 reais (nível VI)

General da reserva do Exército Brasileiro, obteve destaque ao exercer as posições de comandante militar na Amazônia e também comandante da missão de paz da ONU para a pacificação do Haiti. Augusto Heleno atuou, também, como diretor do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Marcos Pontes – Futuro ministro da Ciência e Tecnologia

Salário: 13.036,74 reais (nível V)

É tenente-coronel da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB), sendo graduado em Engenharia Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Ficou famoso por ter sido o primeiro brasileiro a ser astronauta e ir para o espaço integrando uma missão da Nasa. Em 2014, concorreu a deputado federal pelo PSB, mas não obteve sucesso. Neste ano, filiado ao PSL, foi eleito suplente do futuro senador Major Olímpio (PSL-SP).

Paulo Guedes – Futuro ministro da Economia (fusão das pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria)

Salário: 16.215,22 reais (nível VI)

Economista, com mestrado e PhD pela Universidade de Chicago (EUA), foi professor da PUC-Rio e da FGV, fundador e diretor de empresas, como o Banco Pactual, atual BTG Pactual.

Nível VI

Salário: 16.215,22 reais

Gustavo Bebianno – Advogado que atuava em um grande escritório de advocacia do Rio de Janeiro, Bebianno se aproximou de Bolsonaro e se tornou um personagem político nacional à medida em o presidente eleito ascendia. Foi ele quem articulou a filiação de Bolsonaro ao PSL, tornando-se presidente interino do partido durante o período eleitoral. É visto como alguém bastante próximo ao presidente eleito, cotado para ser ministro: inicialmente, foi cogitado para assumir a pasta da Justiça, que ficou com Moro, e agora é citado para ser ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

Nível V

Salário: 13.036,74 reais

Julian Lemos – Braço-direito de Bebianno, o empresário Guilliem Charles Bezerra Lemos, conhecido como Julian Lemos, é vice-presidente nacional do PSL e deputado federal eleito pela Paraíba. Ele diminuiu a sua participação ao longo da campanha depois que vieram a público notícias de que foi condenado por estelionato e alvo três vezes da Lei Maria da Penha, por suspeitas de agressão contra a irmã e a ex-mulher.

Arthur Weintraub – Graduado em Direito, mestre e doutor em Direito Previdenciário pela USP, onde foi professor. Atualmente leciona na Unifesp.

Abraham Weintraub – Graduado em Economia pela USP e mestre em Administração pela FGV. Professor da Unifesp.

Nível IV

Salário: 9.926,60 reais

Paulo Uebel – Graduado em Direito pela PUC-RS e mestre em Administração Pública pela Universidade de Columbia (EUA). Foi secretário municipal de Gestão de São Paulo na administração do ex-prefeito João Doria (PSDB).

Marcos Aurélio Carvalho – Empresário e proprietário da AM4, empresa de marketing digital que foi a principal fornecedora da campanha de Bolsonaro à Presidência, com serviços de cerca de 650.000 reais. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a AM4 seria uma das empresas envolvidas nas suspeitas de disparos irregulares de mensagens em massa via WhatsApp.

Luciano Irineu de Castro Filho – Militar da reserva da Aeronáutica, mestre e doutor pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).

Eduardo Chaves Vieira – Militar da reserva, é engenheiro químico e doutor pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Atuou como inspetor da ONU durante a Guerra do Iraque, em 2003.

Roberto da Cunha Castello Branco – Doutor em Economia e diretor da FGV

Luiz Tadeu Vilella Blum – Coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro.

Carlos von Doellinger – Doutor em Economia pela UFRJ, ex-secretário de Finanças do Rio de Janeiro, ex-presidente do Banerj

Bruno Eustáquio Ferreira Castro de Carvalho – Doutor em Engenharia Civil, diretor do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal e trabalhou nos ministérios do Meio Ambiente e da Integração Nacional.

Bruno Eustáquio Ferreira de Carvalho Neto – diretor do PPI

Bruno Eustáquio Ferreira de Carvalho Neto – diretor do PPI (PPI/Divulgação)

Sérgio Augusto de Queiroz – Mestre em Filosofia pela UFPB e procurador da Fazenda Nacional

Antônio Flávio Testa – Doutor em Sociologia pela UnB, onde é pesquisador, e cientista político

Carlos Alexandre Jorge da Costa – Mestre em Economia pela Universidade da Califórnia (EUA) e ex-diretor do BNDES

Waldemar Gonçalves Júnior – Tenente-coronel da reserva do Exército

Jonathas Assunção – Mestre em Economia pela USP e diretor do Plano de Parcerias e Investimentos (PPI) do governo federal

Ismael Nobre – Biólogo, com doutorado em Recursos Naturais pela Universidade do Colorado (EUA). Consultor na área de desenvolvimento sustentável.

Voluntários

Marcos Cintra – Doutor em Economia e professor da FGV-SP. Cintra, que é ex-deputado federal e próximo do futuro ministro Paulo Guedes (Economia), se envolveu recentemente em uma controvérsia com Bolsonaro, por ter defendido em um artigo publicado a adoção de um imposto sobre as movimentações financeiras, aos moldes da antiga Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), rejeitada pelo presidente eleito. Em entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro chegou a insinuar que pode dispensá-lo em caso de novas divergências públicas com o governo.

Alexandre Ywata de Carvalho – Doutor em Estatística e pesquisador do Ipea

Adolfo Sachsida – Doutor em Economia e pesquisador do Ipea, Sachsida foi um dos primeiros economistas citados como fiadores da conversão do ex-estatista Jair Bolsonaro ao liberalismo. Acabou ficando em segundo plano, abaixo de Paulo Guedes, mas seguiu na equipe em torno do presidente eleito. Em 2016, ele era cotado para ser assessor especial do então ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM). Acabou ficando de fora, no entanto, depois que veio a público a sua defesa enfática do controverso projeto Escola sem Partido.

Adolfo Sachsida

Adolfo Sachsida (Foto/Divulgação)

Paulo Tatim dos Santos – Assessor do ministro Onyx Lorenzoni

Waldery Rodrigues Júnior – Doutor em Economia e servidor do Senado