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Grupo de trabalho vai discutir agressões contra jornalistas

Representantes de empresas jornalísticas cobraram providências após morte de cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes

Por Gabriel Castro, de Brasília 11 fev 2014, 14h12

Representantes de entidades jornalísticas demonstraram preocupação com o aumento de agressões contra profissionais de imprensa, em reunião realizada nesta terça-feira com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O encontro resultou na criação de um grupo de trabalho para se dedicar ao tema.

O encontro foi marcado por causa da morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, que morreu nesta segunda-feira. Quatro dias antes, ele havia sido atingido na cabeça por um rojão em um protesto no Rio de Janeiro.

Os representantes das entidades entregaram um relatório detalhando os casos de agressões a jornalistas durante os protestos: no ano passado, foram registrados 126 episódios violentos contra profissionais da imprensa nas manifestações. Outros 49 casos foram contabilizados durante o ano, incluindo seis assassinatos.

O ministro da Justiça disse que os dados são impactantes. “Nós temos de ter medidas específicas de proteção aos profissionais que atuam na imprensa. Não há democracia sem imprensa livre”, afirmou Cardozo após o encontro. Ele prometeu empenho para garantir a punição dos responsáveis pela morte do cinegrafista.

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O ministro e os representantes da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aneer) concordaram com a criação de um grupo de trabalho para produzir respostas concretas ao problema. O colegiado reunirá representantes dos meios de comunicação, jornalistas, autoridades de segurança pública e integrantes do Ministério da Justiça. A primeira reunião foi marcada para a próxima terça-feira. Um dos temas em debate deve ser a identificação de manifestantes mascarados: “A liberdade de manifestação tem de ser consentida, mas a situação de anonimato não pode ser aceita”, afirmou o ministro nesta segunda-feira.

Terrorismo – Cardozo disse ainda que a tipificação do crime de terrorismo, em discussão no Senado, não pode ser feita com o objetivo de coibir abusos nas manifestações: “O importante é separar o terrorismo de outras tipificações penais, senão vamos acabar dando uma elasticidade à definição de terrorismo semelhante à que se dava na ditadura militar”, afirmou.

O presidente da Abert, Daniel Slavieiro, disse que os ataques partem de grupos específicos.”O que nos inquieta e preocupa muito é que essas agressões estão focadas nos veículos e profissionais das empresas tradicionais, mais conhecidas. Não é a população de bem que vai à rua fazer sua manifestação pacífica. São pessoas que têm interesses escusos, e isso precisa ser apurado”, afirmou.

Outro grupo – Esta não é a primeira vez que o ministro anuncia a criação de grupos para discutir temas urgentes – mas o resultado até agora foi nulo. Em junho do ano passado, Cardozo também coordenou a criação de um fórum para discutir o conflito entre indígenas e fazendeiros em Mato Grosso do Sul. Na ocasião, ele prometeu apresentar uma proposta de solução para o conflito em quinze dias, mas o debate pouco avançou desde então.

Em outubro, o ministro também criou um grupo de trabalho justamente para debater os casos de violência em manifestações no Rio e em São Paulo. A ideia era reforçar as ações de inteligência criar propostas de mudança na legislação. Nesta segunda, o ministro afirmou que os debates estão em andamento, e que a formação de consensos exige consultas a diferentes órgãos e governos: “Não sou dono da verdade”, justificou.

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