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Governo teme que servidora provoque novo desgaste na CPI

Senadores aprovaram a convocação de Thaís Amaral Moura, autora de requerimentos pró-cloroquina, para prestar esclarecimentos

Por Laryssa Borges Atualizado em 6 jul 2021, 14h57 - Publicado em 4 jul 2021, 11h41

Depois de avaliar ter conseguido trincar a credibilidade da CPI da Pandemia com o depoimento do cabo da PM Luiz Paulo Dominguetti, apontado como suposto negociador de vacinas da AstraZeneca, auxiliares do presidente Jair Bolsonaro têm se debruçado sobre uma personagem que consideram poder abrir um novo flanco de desgaste para o governo. Trata-se da servidora Thaís Amaral Moura, que redigiu a mando do Executivo requerimentos para senadores aliados defenderem o uso – já comprovadamente ineficaz – de cloroquina e do tratamento precoce contra a Covid.

Thaís já teve o requerimento de convocação aprovado pela CPI, mas ainda não há data para que preste esclarecimentos aos senadores. Desde que seu nome veio à tona, a servidora se mostrou orgulhosa com os holofotes que recebeu e se propôs, segundo o relato de interlocutores, a se aproximar de parlamentares refratários ao Planalto. A sugestão não foi levada a sério pelo governo, que considera a funcionária “inexperiente” com a menção de seu nome na CPI. Ela também foi aconselhada a fazer um treinamento com especialistas para a futura oitiva diante da constatação de integrantes do governo de que a falta de traquejo político poderia levá-la a se comprometer diante dos senadores e trazer mais um problema para o Executivo.

Na sexta-feira 25, o advogado Frederick Wassef, que defende a família Bolsonaro em processos judiciais, apareceu de surpresa no Senado no momento em que a CPI ouvia do deputado Luís Miranda e do irmão dele, Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, acusações de pressões indevidas e supostas irregularidades na compra da Covaxin. Thaís também estava no Senado naquela tarde. Dias depois, ela disse ter preocupação com a ofensiva que a CPI arma contra o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

Conforme revelou VEJA, a cúpula da CPI tem trabalhado para esquadrinhar as conexões políticas e empresariais do primogênito do presidente Jair Bolsonaro. Uma das ferramentas utilizadas pelo relator da CPI Renan Calheiros (MDB-AL) é analisar dados bancários, fiscais, telefônicos e de mensagens colhida a partir das quebras de sigilo do empresário Francisco Emerson Maximiano, o Max, dono da Precisa Medicamentos, e da própria companhia intermediária do governo brasileiro na aquisição da Covaxin. Além de caso de Max, estão sendo cruzados dados bancários, movimentações financeiras, contatos telefônicos e participações societárias em comum de alvos pré-determinados em busca de ligações que possam expor as relações do Zero Um com empresários, lobistas e advogados.

ATUALIZAÇÃO:

Após a publicação da matéria, a servidora Thaís Amaral Moura enviou nota em que afirma que “o governo não está temeroso” com a presença dela na CPI. “O fato de que eu represento uma fonte de preocupação para os meus pares simplesmente não existe, e qualquer afirmação em sentido contrário é mais uma clara tentativa de arranhar minha imagem e reputação”, afirmou.

“Da mesma forma, não estou orgulhosa de holofotes e nunca apresentei ao governo qualquer proposta de abordar senadores da oposição”, diz. “Qualquer debate acerca da minha convocação na CPI é completamente inoportuna e vazia, e não há espaço dentro do governo para isso.”

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