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Governo escala ‘tropa de choque’ para controlar deputados rebeldes na CPI

Apesar da ampla maioria governista, comissão mista terá a presença de deputados considerados rebeldes pelo Palácio do Planalto

Por Laryssa Borges 28 Maio 2014, 16h14

Com maioria das cadeiras, mas receoso pela presença de deputados rebeldes de sua base, o Palácio do Planalto conseguiu emplacar três “cães de guarda” no comando da CPI mista (com a presença de deputados e senadores) da Petrobras. A exemplo da comissão que investiga a estatal no Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PB) também presidirá a CPI mista, e outros dois governistas fieis, o deputado Marco Maia (PT-RS) e o senador Gim Argelo (PTB-DF), ficarão com a relatoria e a vice-presidência, respectivamente.

A CPI terá ainda a presença de petistas escalados para blindar a investigação, como Sibá Machado (AC) e os ex-ministros Iriny Lopes (ES) e Afonso Florence (BA).

A instalação da CPI mista ocorre após uma intensa disputa judicial e regimental. O governo tentou a todo custo barrar a abertura da comissão por causa da instabilidade de sua base na Câmara. “Hoje, os olhos da nação estão postos sobre esta Casa e sobre esta comissão. Há 45 dias, foi lido requerimento de instalação desta CPI, que só está sendo instalada a partir do esforço hercúleo da oposição”, disse o senador Aécio Neves (PSDB-MG), um dos principais articuladores da instalação da CPI mista.

A avaliação da oposição é que, embora o grupo de investigação seja majoritariamente governista, deputados considerados rebeldes ao Palácio do Planalto, e parlamentares que ainda negociam a formação de palanques estaduais nas eleições de outubro, podem não seguir as orientações do Executivo e provocar desgastes ao governo. Das 32 vagas na CPI mista, os partidos governistas têm 24 cadeiras, contra oito da oposição.

São considerados “titulares-problema” da CPMI os deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG), que recentemente organizou um ato de apoio à candidatura do ex-presidente Lula, além do autointitulado “independente” Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Também há situações como a do pedetista Enio Bacci (PDT-RS), que apresentou candidatura avulsa à presidência da CPMI e cujo partido é rival do PT no seu Estado.

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A oposição agora tentará aprovar as convocações do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, além das propostas de quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico. Depois de abandonar a CPI da Petrobras no Senado para pressionar a instalação da comissão mista, a oposição também pretende sugerir a criação de quatro subcomissões para apurar, em eixos separados, irregularidades envolvendo a Petrobras e a SBM Offshore, a compra de refinarias, a construção de plataformas incompletas e a aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas.

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