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Governo do Rio anuncia investimento de 950 milhões em obras contra as enchentes

Os projetos selecionados para conter o avanço das águas e os deslizamentos de terra serão iniciados sem que haja o mapeamento das cidades afetadas

A disponibilização de quase um bilhão de reais pelos governos estadual e federal para obras de infraestrutura que minimizem os problemas das enchentes e dos deslizamentos nas cidades do Norte, Noroeste e na Região Metropolitana do Rio seria um alívio. No entanto, depois do que aconteceu na serra, o anúncio é visto com descrédito pela população. Dias depois dos desabamentos na Região Serrana, em janeiro de 2011, a União anunciou o repasse de 780 milhões de reais. A avalanche de corrupção e o mau uso do dinheiro público fizeram com que se chegasse a 2012 com poucas obras realizadas. De concreto, o maior avanço foi a implantação de sirenes, que é uma medida emergencial. As ações preventivas passaram ao largo das promessas.

Desta vez, um fato, pelo menos, é garantia de se repetir. As obras serão feitas sem que se tenha o conhecimento do terreno. De todas essas cidades, poucas são as que já apresentam o mapeamento de seu solo. A pequena Laje do Muriaé é uma delas. A secretaria estadual do Ambiente havia feito o estudo, mas nenhuma obra chegou a ser feita. É raridade cidades do Norte e Noroeste terem detectados os locais de risco e saberem onde deve ser investido para que o problema das chuvas não volte a acontecer.

O governo do Rio, em parceria com a União, anunciou um investimento de 950 milhões de reais em três projetos ambientais. O governo federal repassará 850 milhões e o estado, 100 milhões. A ideia é que as obras venham a beneficiar uma população de um milhão de moradores. O aporte de dinheiro será em cidades ribeirinhas do Rio Muriaé e na bacia do Rio Alcântara, em São Gonçalo, Região Metropolitana.

Para e execução de obras do rio Muriaé está previsto o investimento de 350 milhões de reais. Serão construídos três canais extravasores de cheias e uma barragem de contenção. O primeiro extravasor será feito em Laje do Muriaé. Segundo o governo do estado, ele já está pronto para ser licitado, e as obras começarão logo após a verba ser liberada. O canal terá cerca de cinco quilômetros para desviar a água do leito do rio para um outro ponto que não seja localizado em Laje do Muriaé. Os outros dois canais serão construídos em Itaperuna e Italva. Também foi prometida a criação de uma barragem de contenção das cheias em Cardoso Moreira, onde um dique se rompeu no domingo e cerca de 500 pessoas tiveram de evacuar o distrito de Outeiro.

Outros 300 milhões são prometidos para recuperar os rios Imboaçu e Alcântara, ambos em Alcântara. Remoções de famílias ribeirinhas estão previstas no projeto, bem como o plantio de árvores, construção de praças, áreas de lazer e ciclovias, canalização, abertura de ruas marginais e dragagem do leito dos rios.

O terceiro projeto tem a tarefa de recuperar diques e canais da cidade de Campos dos Goytacazes. A verba de 300 milhões será investida para a implantação dos subsistemas Campos/Macaé e do Vigário. No dia 5 de janeiro, o bairro de Três Vendas, em Campos, foi alagado por causa do rompimento de um dique. As 4 mil pessoas que moravam no local foram orientados a deixar suas casas. Parte da população, no entanto, optou por se mudar para o segundo andar do imóvel para evitar furtos.

A cidade de Sapucaia não foi incluída nos projetos. Localizada no Centro-sul Fluminense, o município passa pela maior tragédia desse verão. Foram encontrados, até o momento, 13 corpos soterrados, sendo 11 de adultos e dois de crianças. Atuam no local, em Jamapará, cerca de 40 bombeiros dos Destacamentos de Carmo, Teresópolis, Três Rios e Itaipava. A Defesa Civil trabalha com a possibilidade de haver até 15 pessoas sob a terra.

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