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Governo Bolsonaro estuda nomes para substituir líder na Câmara

Atuação tímida de Major Vitor Hugo na CCJ motivou busca por parlamentar de outro partido; João Campos e João Roma, do PRB, são cotados

Com uma chuva de críticas à sua atuação como líder do governo na Câmara, o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), corre o risco de perder o seu posto. Interlocutores do Palácio do Planalto já deram início a conversas com parlamentares que poderiam substituí-lo.

Escolha pessoal do presidente Jair Bolsonaro, o deputado de primeiro mandato foi recebido com desconfiança por seus pares por ser um nome desconhecido entre eles. Ao longo dos primeiros meses de trabalho do Legislativo, Vitor Hugo colecionou vitórias e derrotas.

Sua atuação tímida durante o tiroteio contra o ministro da Economia, Paulo Guedes, na sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira, 3, no entanto, levou o governo a acelerar a busca por uma alternativa.

A ideia é que o escolhido seja alguém de outro partido que não o PSL. O Executivo analisa nomes com bom trânsito na Câmara, mas não necessariamente veteranos na Casa. Dois nomes do PRB estão na lista: João Campos (GO) e João Roma (BA). Os caciques da sigla, contudo, resistem a dar respaldo à escolha por um correligionário.

Para um grupo de parlamentares, o líder do governo, quem quer que seja, precisa ter o respeito de outros parlamentares, mas este é um processo que demora certo tempo para acontecer. Na avaliação dos deputados, Vitor Hugo foi afoito ao querer o cargo sem ter antes estabelecido uma relação de confiança com seus pares.

O deputado já foi informado sobre a movimentação por sua substituição e, em uma tentativa de sobrevivência, começou a procurar líder por líder para pedir um voto de confiança. A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), tem atuado a favor do colega.

Delegado Waldir

Na quinta-feira 4, o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), criticou a articulação política do governo Bolsonaro e reconheceu que faltou estratégia da base aliada na audiência com Paulo Guedes na CCJ. Ele afirmou ainda que quem jogou o ministro da Economia “na cova dos leões” foram os partidos do Centrão e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Quem colocou o Guedes na cova dos leões não foi o Delegado Waldir. Quem colocou foram os partidos que podem fazer a base, o Centrão, sob o comando do Rodrigo Maia. Não fui eu que coloquei ele na cova dos leões”, disse Waldir.

O líder do PSL também criticou a atuação de Major Vitor Hugo na CCJ. “Para isso existe liderança do governo. Se está havendo críticas, tem que ser críticas direcionadas a quem tem essa atribuição”, disparou. “Se eu vou lá, articulo e monto uma estratégia, eu estou tomando uma atribuição do líder do governo. Não posso cumprir uma missão que não é minha”, acrescentou.