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Governanta de Pedro Novais recebia salário do Congresso como secretária

Empregada do ministro do Turismo foi contratada como recepcionista, diz jornal; peemedebista nega irregularidades

Por Da Redação - 13 Sep 2011, 12h07

Depois de um breve intervalo na sequência de escândalos do governo Dilma Rousseff, que já derrubou quatro ministros em tempo recorde, foi a vez de o titular do Turismo, Pedro Novais, voltar a ficar em situação delicada. De acordo com reportagem publicada na edição desta terça-feira do jornal Folha de S.Paulo, o ministro usou dinheiro público para pagar o salário da governanta de seu apartamento em Brasília. Os pagamentos foram feitos de 2003 a 2010, quando Novais era deputado federal pelo PMDB do Maranhão.

Segundo a Folha, Doralice Bento de Sousa, de 49 anos, foi nomeada por Novais e recebia como secretária parlamentar na Câmara, mas não dava expediente no gabinete do deputado nem no escritório político em seu estado de origem, como determinam as regras para o pagamento de assessores. Ela fazia tarefas domésticas no apartamento de Novais e acompanhava a família dele ao Rio de Janeiro, onde o ministro tem apartamento, e também ao Maranhão.

Em janeiro, quando Novais licenciou-se do mandato para assumir o Ministério do Turismo, Doralice Bento de Sousa foi demitida. Em nota divulgada por sua assessoria, o ministro afirmou que Dora, como é conhecida, atuou como secretária parlamentar em seu gabinete de deputado até dezembro de 2010. Ele negou qualquer desvio de função, alegando que o trabalho dela era dar “apoio administrativo ao deputado e aos outros funcionários”. Desde maio, acrescenta a nota, Dora “é funcionária de empresa terceirizada que presta serviços ao Ministério do Turismo”.

O dono da Visão Administração e Construção, José Raimundo Oliveira Silva, negou ter sofrido pressão para contratá-la. “Não houve interferência direta ou indireta do ministro”, afirmou. Especializada em selecionar mão de obra terceirizada, a Visão tem contrato com o Turismo desde 2009, quando Novais ainda não era ministro. Pelo contrato, obtido em licitação por pregão presencial, no valor anual de 1,5 milhão de reais, a empresa fornece mais de quarenta empregados ao ministério, entre recepcionistas, copeiros, garçons e contínuos.

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A ficha funcional de Doralice, à qual a reportagem teve acesso, mostra que ela cumpre jornada de seis horas corridas por um salário de 956 reais mensais. Uma secretária parlamentar da Câmara ganha de 1 142 reais a 2 284 reais, dependendo de gratificações. O encarregado da empresa, Jean Vieira Mendes, assegura que ela é funcionária exemplar e que até agora não faltou. Hoje, porém, Dora pediu dispensa, alegando ter ficado abalada com a repercussão da reportagem.

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Enxurrada – Pedro Novais e seu ministério ganharam destaque a partir de dezembro, quando o jornal O Estado de S.Paulo revelou que ele usou verba para pagar uma festa em um motel no Maranhão. Novais devolveu o dinheiro. Em agosto, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Voucher e fez uma verdadeira devassa na pasta, desmontando um esquema de fraudes em convênios do Turismo com ONGs.

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Em menos de oito meses de governo, quatro auxiliares de Dilma caíram. O último deles foi o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, após uma enxurrada de casos de corrupção na pasta comandada por ele – como a revelação, feita por VEJA, da existência de um consórcio entre o PMDB e o PTB para controlar a estrutura do ministério. O objetivo era arrecadar dinheiro e contava com a participação de um lobista que montou um verdadeiro balcão de negócios na pasta.

Rossi decidiu pedir demissão depois que, de acordo com reportagem do jornal Correio Braziliense, admitiu ter viajado a bordo de um jatinho da Ourofino Agronegócios, empresa autorizada pelo Ministério da Agricultura a produzir vacina contra febre aftosa. Antes dele, caíram Antonio Palocci, da Casa Civil, por não conseguir explicar um espantoso salto patrimonial; Alfredo Nascimento, dos Transportes, após a revelação de um esquema de corrupção na pasta, mostrado em reportagem de VEJA; e Nelson Jobim, da Defesa, por criticar publicamente o governo.

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