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Governador diz que tirou ‘soneca’ durante protestos de 8 de janeiro

Ibaneis Rocha foi afastado do cargo por ordem do ministro Alexandre de Moraes e só voltou ao posto em março

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
22 out 2023, 20h00

Afastado temporariamente do governo do Distrito Federal após os atos de vandalismo contra as sedes dos três poderes no dia 8 de janeiro, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse em uma troca de mensagens que tirou uma “soneca” naquele domingo após receber informações erradas de que a manifestação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro seria pacífica. O relato, a que VEJA teve acesso, foi feito ao empresário Luiz Estevão e consta de relatório da Polícia Federal sobre as investigações que apuram a negligência de forças policiais na contenção do quebra-quebra.

Às 14h23, o delegado Fernando de Souza Oliveira, então número dois da Secretaria de Segurança Pública do DF, envia um áudio ao celular do governador em que relata a situação referente ao meio-dia e diz que “não há nenhum informe de questão de agressividade” e que “todo mundo [está] de forma ordeira e pacífica”. Segundo a procuradoria-geral da República, responsável pelas denúncias relativas ao 8 de janeiro, a multidão rompeu a barreira de contenção policial por volta das 14h15, pouco antes, portanto, da mensagem tranquilizadora encaminhada ao celular de Ibaneis.

No fim do dia, quando a segurança do Distrito Federal já estava sob intervenção federal e as sedes do Congresso, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF) em frangalhos, Ibaneis relata a soneca a Estevão. Após comentarem o teor do áudio enviado por Oliveira, Luiz Estevão diz que “fica claro que, se houve falhas no dia de hoje, a responsabilidade não é do Governador. O áudio é tão tranquilizador que, depois de ouvi-lo, dá pra tirar uma soneca”. Na sequência o governador completa: “foi o que fiz”.

O governador ainda desfia uma série de críticas ao governo federal, alegando que “eles agora se colocam como vítima como se não tivessem nenhuma responsabilidade”, reclama da inteligência da Polícia Federal, que, segundo ele, deveria ter detectado o risco de invasão aos prédios públicos e acusa o governo Lula de não ter tomado providências para o desmonte do acampamento de manifestantes em frente do QG do Exército. Naquela mesma noite, por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes, Ibaneis acabaria afastado do cargo e só retornaria ao posto no dia 16 de março.

De acordo com a Polícia Federal, a primeira chamada registrada no telefone celular de Ibaneis Rocha no dia 8 foi feita pelo presidente do Senado Rodrigo Pacheco às 16h10. Àquela altura, o Congresso já estava tomado pelos baderneiros, que às 14h43 derrubaram os gradis que protegiam o Legislativo e avançaram sobre o prédio. Nos dias 7 e 8/1 a PF contabilizou 36 ligações recebidas e realizadas por Ibaneis, principalmente após às 15h30 do dia 8, quando já havia começado a invasão dos prédios. Entre os interlocutores nas ligações estão a vice-governadora Celina Leão, o delegado Fernando, o ministro da Defesa José Múcio, o senador Rodrigo Pacheco, o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira e o ministro da Justiça Flávio Dino.

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