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Glenn diz que não vai deixar o país de seu marido e filhos 

Em ato de apoio ao jornalista, criador do site The Intercept Brasil afirmou também que 'máscara de Moro caiu por conta do jornalismo'

Por Fernando Molica - 30 jul 2019, 22h00

O jornalista Glenn Greenwald disse, em ato a favor do criador do site The Intercept Brasil, que não vai deixar o país de seu marido, o deputado David Miranda (PSOL-RJ), e de seus filhos. O evento ocorre na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) na noite desta terça-feira, 30.

Em seu discurso, Glenn também condenou a fala do presidente da República Jair Bolsonaro, que afirmou que o jornalista era “malandro” por ter se casado com o deputado do PSOL e ter adotado crianças no Brasil. A declaração de Bolsonaro era um comentário sobre a portaria portaria baixada por Moro na sexta-feira 2 que prevê a “deportação sumária” de estrangeiros considerados perigosos.

“Ele não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, disse Bolsonaro.

Nesta terça-feira, Glenn disse que estava feliz pela declaração do presidente da República. “Estou feliz que Bolsonaro tenha dito isto, assim podemos mostrar para juventude LGBT no Brasil que eles não serão infelizes. Olhem para minha família”, afirmou. Ele e David Miranda se beijaram no palco.

O criador do The Intercept Brasil, que, desde o dia 9 de junho tem revelado diálogos entre procuradores do Ministério Público Federal envolvidos na Operação Lava Jato e o então juiz Sergio Moro, disse que “máscara” do atual ministro da Justiça e Segurança Pública “caiu”. “Máscara de Moro caiu por conta do jornalismo”, disse. “Não me importo com ameaças se Moro, não vou fugir deste país”, acrescentou.

Ele disse ainda que, quando recebeu o acervo com os diálogos, sabia do risco, mas que tinha que mostrar que o grande herói, se referindo a Sergio Moro, é “totalmente corrupto e fez tudo para ganhar eleição”.

No ato da ABI, havia cerca de 3.000 pessoas, entre os presentes no local dos discursos e os que se espalhavam pela calçada. Ouviu-se gritos de “nenhum passo atrás, ditadura nunca mais”. Também houve manifestação na rua a favor da liberdade de expressão e de Glenn Greenwald. Pouco antes do evento, também houve uma pequena concentração de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro protestando contra o jornalista.

Entre os presentes no apoio a Glenn e ao site The Intercept Brasil, estavam celebridades como o músico Chico Buarque, o ator Wagner Moura, a atriz Camila Pitanga, o rapper Marcelo D2, o cineasta Silvio Tendler e políticos de partidos como PT, PSOL e PDT. Um deles, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) foi saudado aos gritos de “juiz ladrão”, referência ao que ele disse ao ministro Sergio Moro durante uma audiência na Câmara.

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