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Genro de Silvio Santos, Fábio Faria se aproxima de figurões da Justiça

Ministro tem construído pontes com STF e TSE, onde tramitam processos espinhosos contra o presidente

Por Laryssa Borges - 4 jul 2020, 10h00

Novo ministro das Comunicações e agora articulador político informal do governo Bolsonaro, o deputado licenciado Fábio Faria (PSD-RN) tem atuado nos bastidores para reconstruir pontes com setores refratários ao ex-capitão e nos últimos dias se aproximou de figurões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nos dois tribunais tramitam processos que podem decidir o futuro de Bolsonaro – no TSE existem ações que pedem a cassação de seu mandato sob a acusação de abuso de poder e no STF estão investigações como a que apura a participação de bolsonaristas em atos antidemocráticos e a que envolve ataques e fake news contra ministros da Corte.

Genro do empresário Silvio Santos e hábil negociador, Faria tem convidado ministros do entorno do presidente a visitar o SBT, emissora de TV do sogro, se aproximou, por meio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de figurões do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, mais recentemente, atuou como mediador de um convite do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) para um almoço com ministros de tribunais. O encontro acabou não ocorrendo, mas evidenciou junto a membros do Judiciário o trânsito do novo ministro das Comunicações. Não à toa, ao tomar posse no cargo, Faria defendeu um “armistício patriótico” entre governo e instituições.

Próximo de Fabio Faria, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é um dos principais atores políticos a colocar em dúvida a existência de um processo de pacificação proposto por Bolsonaro. Recentemente, Maia se reuniu com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e disse não acreditar em uma paz duradoura, mesmo com os acenos já apresentados por integrantes do governo. Ao lado de Doria e do ministro Alexandre de Moraes, o deputado povoa o imaginário bolsonarista como o artífice de uma conspirata para impedir o presidente de governar.

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