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General Villas Boas ocupará cargo no governo Bolsonaro

Ex-comandante do Exército anunciou no Twitter que foi convidado pelo presidente para fazer parte do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência

Por João Pedroso de Campos - Atualizado em 11 jan 2019, 20h58 - Publicado em 11 jan 2019, 20h48

Depois de deixar o comando do Exército e ser sucedido pelo general Edson Leal Pujol, nesta sexta-feira, 11, o general Eduardo Villas Boas anunciou no Twitter que foi convidado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) para fazer parte do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

Comandada pelo general Augusto Heleno, a pasta funciona dentro do Palácio do Planalto e tem entre suas atribuições cuidar da segurança do presidente e coordenar a área de inteligência do governo.

Aos 67 anos, Villas Boas assumiu o comando do Exército em 2015. Ele sofre de uma doença degenerativa e usa uma cadeira de rodas para se locomover desde 2018. Na cerimônia da transmissão do cargo a Pujol, ele afirmou que Bolsonaro “tirou o país da amarra ideológica que sequestrou o livre pensar” e “do pensamento único e nefasto”.

Na semana passada, na posse do novo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, o pesselista declarou que o agora ex-comandante do Exército é “um dos responsáveis” por ele ter se tornado presidente. “Muito obrigado, comandante Villas Boas. O que conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”, agradeceu Bolsonaro, sem entrar em detalhes sobre o conteúdo da “conversa”.

Em abril de 2018, na véspera do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de um habeas corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Villas Boas escreveu no Twitter que o Exército “repudia a impunidade” e estava “atento às suas missões institucionais”. O STF negou o habeas corpus, Lula foi preso e, depois, impedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de disputar a Presidência com base na Lei da Ficha Limpa. 

Ainda na cerimônia desta sexta, o ministro da Defesa disse que “a maior entrega deste comandante é o que ele conseguiu evitar. Foram tempos que colocaram à prova a postura do Exército como organismo de Estado, isento da política e obediente ao regramento democrático”.

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Azevedo e Silva declarou também que Eduardo Villas Boas exerceu o cargo “num tempo que guarda as marcas das instabilidades que colocaram à prova a maturidade das instituições democráticas brasileiras, incluídas as Forças Armadas”. Durante o período em que o general esteve à frente do Exército, o país passou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e pelas eleições de 2018. 

Em entrevista a VEJA em abril de 2017, Villas Boas revelou que o Exército foi sondado, e rechaçou, a hipótese de apoiar a decretação de estado de defesa nos dias que antecederam o impeachment da petista. Villas Boas não disse quais foram os políticos que fizeram a consulta, mas reconheceu que as Forças Armadas ficaram “alarmadas” com a perspectiva de serem empregadas para “conter as manifestações que ocorriam contra o governo”.

Na mesma entrevista, ele também manifestou preocupação com o “perigo” de surgirem no país líderes populistas com discursos “politicamente incorretíssimos, mas que correspondem ao inconformismo das pessoas”.

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