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Mourão: existe radicalismo ‘meio boçal’ entre apoiadores de Bolsonaro

Consultor do pré-candidato do PSL, militar da reserva avalia que a campanha do deputado está 'amadora' e precisa acelerar elaboração de programa de governo

Por Da Redação
Atualizado em 26 jul 2018, 16h23 - Publicado em 26 jul 2018, 15h33

Um dos consultores da pré-candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), de 64 anos, afirma que há “um certo radicalismo nas ideias, até meio boçal” entre os apoiadores do candidato. Ele defendeu o discurso da advogada Janaína Paschoal, cotada para ser vice da chapa, de que o PSL não pode “ser o PT ao contrário”.

“A gente não pode dividir o país. Isso foi o que o PT fez. O PT é a vanguarda do atraso. A gente tem de trazer todos os brasileiros e aceitar as ideias de uns e de outros e não ficar se matando”, comentou. No último domingo, Janaína “cortou o clima” da convenção que confirmou o candidato ao discursar por maior diversidade de ideias dentro da campanha.

Para Mourão, ele também um possível colega de chapa de Bolsonaro, a campanha do pré-candidato “está meio amadora” e o presidenciável precisa correr atrás da elaboração de um programa de governo. “Não pode o camarada ganhar a eleição e perguntarem: ‘O que ele vai fazer agora?’. Se ele pretende reduzir o número de ministérios, tem de ter um estudo. Qual é o programa de privatização? Tem de ser mais claro. Até porque, a partir daí, ele buscará aquele eleitorado liberal que ainda está fazendo cara feia porque sente que não tem muita profundidade nessa lagoa”, argumenta.

O general afirma que o deputado precisa se preparar “para ser o presidente de todos os brasileiros e não apenas do grupo que o apoia fanaticamente”. Ele também reclama de “um preconceito” com que, avalia, o pré-candidato seria retratado pela imprensa. “Ele tem de mostrar que não é um troglodita, que ele é um homem que criou os filhos de forma correta, que não nasceu em berço de ouro.”

Presidente do Clube Militar há dois meses, o general, que provocou polêmica em 2017 ao sugerir a possibilidade de uma intervenção militar no auge da crise política, ele avalia que seus colegas de farda passaram por um período “de tartaruga que se esconde dentro do casco”, mas voltaram depois que as lideranças civis se envolveram em corrupção. Ele também define o Exército como “apartidário”, mas ressalta que as Força Armadas não são “apolíticas”.

(Com Estadão Conteúdo)

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