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Gastão Vieira é o novo ministro do Turismo

Depois de um mês na corda bamba, Pedro Novais caiu com revelações de mau uso do dinheiro público

Por Gabriel Castro - 14 set 2011, 22h34

O Palácio do Planalto anunciou oficialmente nos primeiros minutos desta quinta-feira que o deputado federal Gastão Vieira (PMDB-MA) será o novo ministro do Turismo, no lugar de Pedro Novais. Uma nota curta divulgada pela Presidência confirma o que o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN), havia dito ao site de VEJA horas antes. O antecessor de Gastão, Pedro Novais, também do PMDB, caiu nesta quarta. Foi o quinto auxiliar da presidente Dilma Rousseff a deixar o governo em menos de nove meses de gestão.

“A decisão final foi da presidente Dilma”, disse Henrique Eduardo Alves ao site de VEJA, comparando à sucessão a um campeonato de futebol: “Parecia o Brasileirão, com um empate entre seis ou sete nomes”. Vieira foi chamado ao Palácio do Planalto para um encontro com a presidente Dilma depois de o próprio governo ter dito que a escolha só se daria nesta quinta-feira. No fim, a presidente bateu o martelo antes do anunciado. A nomeação de Gastão Vieira deve ocorrer já nesta quinta-feira.

Durante um mês, Novais resistiu às revelações de que patrocionou uma farra em um motel e não caiu nem mesmo com a devassa que a Polícia Federal (PF) fez na pasta comandada por ele. Sucumbiu, enfim, depois que vieram à tona dois casos de mau uso de dinheiro público: pagou com salário da Câmara a governanta Doralice de Souza, que trabalhou em seu apartamento de 2003 a 2010; e usou um funcionário público, contratado pelo gabinete de seu suplente na Câmara, como motorista particular de sua mulher. Os dois últimos casos foram revelados pelo jornal Folha de S. Paulo.

No fim da tarde, Novais entregou sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff. Depois disso, foi aberta a bolsa de apostas em torno do nome de seu substituto. O dia foi de expectativa e muitas reuniões em Brasília. Ainda recuperando-se de uma internação em São Paulo, devido a uma intoxicação alimentar, o vice-presidente Michel Temer voltou para a capital federal para reunir-se com caciques do PMDB, “dono” do comando do ministério.

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Presente à reunião, o líder do governo na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), consultou a bancada da legenda. Ao deixar o Congresso, antes de voltar para um segundo encontro com Temer, disse que o PMDB estava colocando à disposição da presidente Dilma os nomes de todos os deputados do partido. A escolha caberia a ela. Uma coisa, ressaltou, era certa: “Vai ser um parlamentar da Câmara, isso está decidido”. O preferido dele: Marcelo Castro (PI). Outros nomes cotados são Lelo Coimbra (ES), Leonardo Quintão (MG), Manoel Júnior (PB) e Gastão Vieira (MA). Na disputa, o deputado do Maranhão saiu vencedor.

Antes do agora ex-ministro do Turismo, perderam o posto os titulares da Casa Civil, Antonio Palocci, dos Transportes, Alfredo Nascimento, da Defesa, Nelson Jobim, e da Agricultura, Wagner Rossi.

O antecessor – Pedro Novais, maranhense de 80 anos e 1,55 metro de altura, já começou no governo Dilma com o pé esquerdo. Antes mesmo da posse veio à tona a informação de que o ministro pagou uma conta de motel de 2 156 reais com dinheiro público, verba de gabinete de quando era deputado federal. Ele devolveu o dinheiro, atribuiu o erro a um assessor e a história acabou por aí.

Antes de ir para a Esplanada dos Ministérios, Novais era um dos mais longevos integrantes da Câmara dos Deputados. Ocupava uma cadeira na Casa desde 1990, sempre como representante do Maranhão, com a benção de José Sarney.

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A carreira política foi precedida por anos no Ministério da Fazenda, durante o regime militar. A expertise de Novais em lidar com dinheiro público tornou-se um trunfo em Brasília. Conhecedor dos meandros do Orçamento, ele sabe como ninguém fazer uma emenda parlamentar ser aprovada pelo Congresso.

Na vida pessoal, à exceção do arroubo do Motel Caribe, o ministro é um homem de poucas palavras, casado há trinta anos com a segunda esposa, Maria Helena, e que, salvo imprevistos, às 21 horas já está de pijama, pronto para dormir.

O novo ministro – Gastão Vieira entende muito bem o funcionamento de seu partido, o PMDB. No final de agosto, em entrevista ao programa humorístico CQC, declarou: “No PMDB todo mundo manda, ninguém obedece e cada um faz o que quer”. Foi uma das frases da semana de VEJA.

Aliado da família Sarney, quando secretário estadual de Planejamento do governo de Roseana Sarney, em 2009, o jornal Folha de S.Paulo publicou que ele usava, com autorização da Câmara, o apartamento funcional que ocupava enquanto deputado. A permissão, sem justificativa oficial, foi dada pela Mesa Diretora da Câmara. As filhas do então secretário estadual viviam no imóvel. Como deputado licenciado, Gastão Vieira também optou por continuar recebendo seus vencimentos como deputado federal, o que seria permitido pela legislação.

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A partir de 1995, Gastão Vieira foi eleito deputado federal pelo Maranhão em todas as cinco eleições.

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