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Gabinete de Bolsonaro registrou presença de filha de Queiroz, diz Câmara

Registro mostra jornada de quarenta horas semanais na assessoria do atual presidente enquanto Nathália Queiroz era personal trainer no Rio de Janeiro

Por Guilherme Venaglia Atualizado em 14 jan 2019, 19h40 - Publicado em 14 jan 2019, 19h00

Conhecida personal trainer de celebridades no Rio de Janeiro, Nathalia de Melo Queiroz teve presença integral durante os dois anos em que esteve lotada no gabinete do ex-deputado federal e atual presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), na Câmara dos Deputados.

As informações estão em um relatório da Casa divulgado pela rádio CBN e confirmado por VEJA na tarde desta segunda-feira, 14. Segundo a Coordenação de Secretariado Parlamentar, é o próprio deputado, no caso Bolsonaro, o responsável pela inserção em uma plataforma eletrônica do relatório de presença – tarefa que ele pode delegar a um assessor.

“A jornada de trabalho ordinária do secretário parlamentar é de quarenta horas semanais e o controle da frequência é de responsabilidade do parlamentar, que atesta, mensalmente, por meio eletrônico, a frequência dos servidores do seu gabinete”, diz o documento. “Informo que, de acordo com os registros funcionais desta Casa, a frequência da secretária parlamentar Nathália de Melo Queiroz foi atestada integralmente no período laborado nesta Casa”, conclui.

Filha do ex-assessor Fabrício Queiroz, que teve suas movimentações financeiras consideradas atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Nathalia esteve lotada no gabinete de Bolsonaro entre dezembro de 2016 e outubro de 2018. Em seu último mês de trabalho, recebeu salário de cerca de 10.000 reais.

Antes de trabalhar com o atual presidente, ela esteve lotada no gabinete do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). No período, transferiu cerca de 84.000 reais para Queiroz. Sua conta no Instagram, em que aparecia prestando serviços de personal a famosos como os atores Bruno Gagliasso e Bruna Marquezine, foi apagada.

Depoimento

Assim como o pai, que se trata de um câncer e tem alegado razões médicas para não comparecer, Nathalia ainda não prestou esclarecimentos solicitados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Ela, a irmã Evelyn e a esposa do ex-assessor, Márcia Oliveira Aguiar, alegam acompanhar o tratamento de Fabrício Queiroz.

Questionado anteriormente sobre a atuação de Nathalia em sua assessoria, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o controle de funções e presença dos funcionários lotados neste era feito pelo seu chefe de gabinete, não sendo de controle diretamente dele.

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