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Futuro ministro, Berzoini já tenta esvaziar CPI

Novo ministro de Relações Institucionais deve buscar parlamentares que apoiam investigação para obter retirada de assinaturas de requerimento

Oficialmente, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) só assumirá o cargo de novo coordenador político do governo Dilma Rousseff na manhã desta terça-feira. O petista, porém, resolveu colocar em prática suas futuras atribuições já nesta segunda: marcou um jantar com líderes dos partidos governistas para discutir um plano de implosão da CPI da Petrobras no Congresso.

Segundo o líder do PT no Senado, Humberto Costa (CE), o governo vai se esforçar para que alguns dos 28 senadores que apoiaram a criação da CPI retirem sua assinatura nas próximas horas. “Vamos buscar a estratégia de procurar o convencimento de todos os senadores, inclusive daqueles que já assinaram o requerimento pela CPI, de que já há investigações em curso que são suficientes para viabilizar que todas essas denúncias sejam esclarecidas”, disse.

Apesar disso, parlamentares governistas afirmam que o recuo de senadores que já formalizaram o apoio à investigação é improvável. O requerimento entregue na semana passada pela oposição tem 29 assinaturas – duas a mais do que o mínimo exigido.

Paralelamente, os oposicionistas tentam recolher 171 assinaturas na Câmara para assegurar a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), e não apenas uma CPI em uma das Casas. A expectativa é que o objetivo seja alcançado ainda nesta semana.

A posse de Berzoini na Secretaria de Relações Institucionais está marcada para a manhã desta terça. Ele substituirá Ideli Salvatti, que será realocada na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência.

A crise que levou à criação da CPI da Petrobras foi o ápice de uma sequência de atritos entre o governo e o Congresso durante a passagem de Ideli pela pasta de Relações Institucionais.

A CPI da Petrobras deverá investigar irregularidades administrativas na empresa petrolífera. O principal foco é a compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, em um negócio que deixou prejuízo de 1,18 bilhão de dólares.