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Fundão eleitoral representa 95% de receitas dos principais presidenciáveis

Levantamento de VEJA mostra que, na primeira eleição após utilização de dinheiro público para campanhas, fundo predomina como fonte de recurso de candidatos

Por Guilherme Venaglia Atualizado em 14 set 2018, 18h33 - Publicado em 14 set 2018, 16h24

Criado em 2017 para suprir a falta do financiamento empresarial de campanha, proibido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dois anos antes, o Fundo Especial para Financiamento de Campanha (FEFC), o “fundão eleitoral”, um montante de 1,7 bilhão de reais de dinheiro público destinado às campanhas, é a principal fonte de receita dos candidatos à Presidência da República após um mês da campanha eleitoral.

De todo o dinheiro arrecadado pelos treze postulantes deste ano, 65% vieram do FEFC, segundo levantamento de VEJA a partir das informações prestadas pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para dez deles, trata-se dos dados definitivos da primeira prestação parcial de contas, que se encerrou na noite desta quinta-feira, 13. Nos casos de Cabo Daciolo (Patriota), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), foram analisados os relatórios financeiros (que disponibilizam em tempo real os valores recebidos e gastos contratados), porque o tribunal ainda não se debruçou sobre os números consolidados.

O peso da verba pública salta consideravelmente, para 95%, quando são considerados apenas os cinco candidatos mais bem posicionados nas últimas pesquisas de intenção de voto. Desses, apenas Jair Bolsonaro (PSL) não fez uso do Fundo – e é um dos que menos arrecadou até agora, com 688.714 reais, a maior parte fruto de financiamento coletivo. Entre os demais, o FEFC corresponde a 86% das receitas de Marina, 97% para Fernando Haddad (PT), 98% para Alckmin e 99% para Ciro Gomes (PDT).

A diferença de trinta pontos percentuais entre uma simulação e outra se deve, principalmente, ao caso de Henrique Meirelles. Apesar de ser candidato pelo MDB, partido com a maior verba do Fundo Eleitoral, o ex-ministro da Fazenda não recebeu um único real do partido: todo o dinheiro da sua campanha veio da fortuna pessoal do próprio Meirelles, que já injetou 45 milhões de reais na disputa.

Em termos de receita de campanha, o valor faz ex-ministro o segundo com a maior verba. Ele só perde para o tucano Geraldo Alckmin, que recebeu a maior soma de um partido para um candidato ao Planalto: 44,8 milhões de reais de dinheiro público, da cota do PSDB, foram direcionados à sua campanha, somados a outros 980.000 em doações e 515.250 reais em “bens estimáveis” (cessões voluntárias de imóveis, veículos e outros).

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Na sequência, aparece a campanha de Fernando Haddad, que herdará o valor antes repassado à campanha do seu antecessor na chapa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um total de pouco mais de 20,5 milhões de reais, quase todo o valor oriundo da cota partidária no Fundo Eleitoral. Ciro Gomes e Marina Silva arrecadaram, até agora, 16,1 milhões e 6,8 milhões de reais, com percentuais na casa dos 90% oriundos dos partidos, PDT e Rede.

Além de Bolsonaro e Meirelles, apenas João Amoêdo (Novo) e Cabo Daciolo (Patriota) não receberam dinheiro de suas legendas. Não foram considerados os casos em que os partidos, como ocorreu com o Novo e com o PSL, fizeram a arrecadação de financiamento coletivo e apenas encaminharam os valores respectivos aos candidatos. Por outro lado, apenas José Maria Eymael, da Democracia Cristã, não recebeu nenhum valor que não seja do próprio partido.

Veja abaixo a proporção de cada fonte principal de recursos, as verbas públicas (dos fundos eleitorais e partidário) e os recursos privados, que se dividem, principalmente, entre doações de pessoas físicas e autofinanciamento.

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