Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Funcionários do setor aéreo alertam sobre possível greve

Eles pedem aumento do salário e readequação da jornada de trabalho e dão um prazo até 1º de dezembro para as empresas apresentarem propostas

Um dia após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciar medidas para evitar o caos nos aeroportos no fim de ano, os funcionários das companhias aéreas organizam uma manifestação em todo o país para reivindicar melhores salários e condições de trabalho para a categoria. Desde o início da manhã desta terça-feira, aeronautas (que trabalham nos voos, como comissários de bordos, pilotos e co-pilotos) e aeroviários (que atuam nos aeroportos, como os atendentes e os que organizam as bagagens) participam do ato em oito aeroportos – Porto Alegre, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro.

As principais reivindicações da categoria são o aumento do número de trabalhadores e um reajuste de 15% no salário, que consideram ser proporcional ao desenvolvimento recente das empresas. “Esse crescimento é bom para todos, mas tem velocidade menor que o de contratação e nossos salários estão congelados. Eles querem crescer para disputar o mercado sem apostar na mão-de-obra e a tendência é que isso comprometa a qualidade do atendimento e afete até a segurança dos voos”, afirma o presidente do Sindicato Nacional do Aeronautas (SNA) e diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac/CUT), comandante Gelson Fochesato.

Jornada – Outra reclamação dos funcionários das companhias aéreas é quanto à jornada de trabalho. “As empresas aumentam o número de voos para atender à grande demanda e os trabalhadores têm que dobrar o serviço”, diz o comandante. Além disso, ele ressalta que as escalas de voo são alteradas com uma periodicidade irregular. “Ficamos sabendo que vamos voar em cima da hora, não dá tempo nem de se programar direito, não temos vida social. Uma vez ou outra tudo bem, mas passamos dois anos no limite, com escalas sendo trocadas quase que diariamente, quando a mudança deveria ser mensal”, critica.

Os sindicalistas apresentaram a pauta de exigências às empresas no dia 30 de setembro e na reunião seguinte, em outubro, afirmam ter recebido como única sugestão a mudança da data-base (prazo para a reposição das perdas salariais da categoria nos últimos doze meses) do dia 1º de dezembro deste ano para 1º de abril de 2011. Os funcionários rejeitaram a ideia. Nova reunião está marcada para esta quarta-feira, 24, e outra para o dia 1º de dezembro. “A manifestação desta terça é só um alerta aos passageiros e aos empresários. Se até a última reunião não houver uma proposta concreta nem tivermos chegado a um acordo, há o risco real de greve”, avisa Fochesato.

Resposta – Por meio da assessoria de imprensa, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) afirmou que as negociações ainda estão no início – há outros dois encontros marcados para depois da data-base – e não informou se irá apresentar alguma proposta aos funcionários nesta quarta. Na segunda-feira, durante o anúncio das ações conjuntas para evitar o caos aéreo no período de festas, representantes das principais companhias apresentaram números de contratações e investimentos até dezembro e garantiram que não haverá problemas nos aeroportos do país no momento de maior procura por voos. Para os aeronautas e aeroviários, no entanto, essas ações não são suficientes.