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Funcionalismo reage a Bolsonaro com paralisação e ameaça de greve

Fiscais agropecuários federais iniciaram operação-tartaruga, e outras categorias prometem parar caso não recebam reajuste salarial

Por Hugo Marques Atualizado em 28 dez 2021, 11h32 - Publicado em 28 dez 2021, 11h24

A promessa de Jair Bolsonaro de conceder reajuste apenas para servidores da área de segurança pública pode se transformar num senhor tiro no pé do presidente da República. Preteridas pelo governo, diversas categorias estão se mobilizando para exigir que também sejam contempladas com aumento salarial. Na noite desta segunda-feira, 27, fiscais agropecuários iniciaram uma operação-tartaruga em portos e aeroportos, o que deverá atrasar a liberação de cargas para exportação e importação. Associações do funcionalismo também cogitam fazer paralisações e, se for necessário, até greve.

O governo reservou 1,7 bilhão de reais no Orçamento da União para conceder reajustes para policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes do sistema penitenciário federal, segmentos que Bolsonaro tenta consolidar como seus eleitores fiéis. O restante do funcionalismo, obviamente, não gostou da iniciativa. “Nunca tivemos esse tipo de situação. Foram elencadas três carreiras que terão reajuste, e outras 300 carreiras ficaram de fora. Ele agracia 35 mil servidores e deixa 1 milhão fora dessa conta”, diz o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Federais Agropecuários, Janus Pablo.

A operação-tartaruga dos fiscais federais foi aprovada por 97% da categoria e deverá afetar todos os portos e aeroportos. Segundo Janus Pablo, o cidadão que embarca em voos não deverá ter sua viagem prejudicada. “Vai afetar todas as áreas que necessitam de certificação para exportação nos portos, aeroportos e portos secos.” Entre os potenciais prejudicados, estão exportadores de carne e frutas.

Nesta quarta-feira, 29, diferentes categorias do serviço público federal se reúnem para discutir a campanha por reajuste salarial, com perspectivas de greves no serviço público. O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), que reúne mais de 30 associações e sindicatos de servidores, planeja uma paralisação de dois dias para alertar o governo. Entre as categorias típicas de Estado representadas pelo Fonacate estão servidores do Banco Central, CVM, CGU e Tesouro.

Mesmo entre as categorias contempladas com a promessa de reajuste, há descontentamento. O diretor de Comunicação da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais, Raphael Casotti, alerta que a inflação vai fechar o ano acima de 10%, e a categoria ainda não sabe em que percentuais os salários serão reajustados — nem se haverá reestruturação da carreira, uma reivindicação antiga da categoria. Casotti não acredita que Bolsonaro manterá o mesmo nível de apoio eleitoral entre os policiais, mesmo concedendo um reajuste para cobrir parte das perdas.

“O apoio ao Bolsonaro foi muito grande na eleição de 2018 nas atividades policiais, mas depois as decepções e as frustrações fizeram com que muita gente desembarcasse nesse apoio. Hoje, particularmente, não acredito que o nível de apoio a ele seja o mesmo”, diz Raphael Casotti.

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