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Funai exonera 11 coordenadores-gerais em pouco mais de dois meses

Última demissão mirou no responsável por desenvolver políticas voltadas para índios isolados e de recente contato

Empossado no final de julho como presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), o delegado da Polícia Federal Marcelo Augusto Xavier da Silva demitiu 11 dos 15 coordenadores-gerais que trabalham na instituição. Os funcionários exonerados são subordinados às três diretorias da fundação e dão diretrizes às tarefas desenvolvidas por equipes espalhadas por todo país.

A última demissão foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 4. Bruno da Cunha Araújo Pereira foi exonerado da coordenadoria que cuida de índios isolados e de recente contato. Pereira trabalhava há nove anos na Funai, mas estava na atual função há um ano. Anteriormente, ele desenvolveu trabalhos com comunidades isoladas no Vale Javari, no Amazonas.

Funcionários da Funai dizem, em condição reservada, que as demissões ocorreram de forma sumária, sem que fosse aberto diálogo com os coordenadores e seus subordinados.

A demissão de Pereira foi comunicada pela diretora de proteção territorial, Silmara Veiga de Souza. Ela é advogada e integrou a defesa de clientes que contestaram o procedimento administrativo de identificação e delimitação da terra indígena Ka’aguy Hovy, localizada no município de Iguape, no litoral sul de São Paulo.

O ouvidor da Funai, Thiago Fiorotti, que é servidor do órgão, também foi exonerado. O número de demitidos tende a crescer. Há relatos de que o coordenador-geral de assuntos fundiários, Rutenes Lopes Fernandes, foi informado por Silmara que não continuará no cargo.

Outro funcionário que está com o emprego ameaçado é o diretor do Museu do Índio no Rio de Janeiro, José Carlos Levinho, que está na instituição desde o governo Fernando Henrique Cardoso. Ele deve ser substituído por Giovani Souza Filho, doutor em ciências militares e atual diretor de promoção do desenvolvimento sustentável na Funai. 

Xavier da Silva se tornou presidente da Funai após a demissão do general Franklimberg Ribeiro de Freitas. O delegado da PF é apoiado pela bancada ruralista no Congresso e, em 2016, trabalhou na CPI da Funai a pedido de deputados ligados ao setor. O relatório final da comissão pediu o indiciamento de funcionários da instituição e propunha a revisão de demarcações de terras indígenas.