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Freixo desiste de candidatura à prefeitura do Rio

Segundo colocado nas pesquisas, deputado federal do PSOL encontrou dificuldades para construir uma frente de oposição entre os partidos de esquerda

Por André Siqueira - 16 Maio 2020, 14h03

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) desistiu de sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro. Um dos principais nome da esquerda carioca, o parlamentar aparecia em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto.

A dificuldade em construir alianças em torno do que chama de frente ampla entre os partidos de esquerda é o principal motivo da desistência do deputado federal. Apesar de ter recebido uma sinalização de apoio do PT, partidos tradicionais como PDT e PSB costuraram alianças entre si.

Em nota, Freixo afirma que abdica de sua candidatura “para dedicar todos os meus esforços à construção de uma frente ampla que una nacionalmente o campo democrático no enfrentamento ao fascismo”.

O parlamentar também destaca que, como deputado federal, pode desempenhar um papel de oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. “Foram conquistas importantes, porém insuficientes, na Câmara dos Deputados contra a agenda autoritária e violenta do governo Bolsonaro. Diante disso, é fundamental a minha permanência nesta trincheira de lutas que se torna ainda mais necessária diante das consequências da aliança entre o centrão e o governo, que passará a ter uma tropa de choque para seu projeto autoritário e genocida”, diz Freixo.

De acordo com a pesquisa do Datafolha, divulga em dezembro do ano passado, Freixo aparece em segundo lugar, com 18% das intenções de voto, atrás apenas de Eduardo Paes (DEM), que tem 22%. Esta seria a terceira tentativa de Freixo como candidato à prefeitura do Rio. Em 2012, Paes, então prefeito, foi reeleito no primeiro turno. Quatro anos depois, em 2016, o parlamentar do PSOL disputou o segundo turno e foi derrotado pelo bispo Marcelo Crivella (Republicanos).

 

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por Marcelo Freixo: 

Pela unidade em defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro

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Depois das duas catástrofes que se abateram sobre o Brasil, Bolsonaro e a pandemia, não podemos pensar como pensávamos antes, nem agir como agíamos antes. 

Estamos enfrentando um dos maiores ataques da nossa história à democracia e à vida dos brasileiros. Bolsonaro se comporta como um aspirante a ditador que usa ilegalmente o cargo mais importante do País para alimentar uma guerra à democracia. Seu projeto de poder autoritário está retirando direitos e destruindo a dignidade do povo brasileiro com uma voracidade inédita. 

Diante destes ataques, agravados pela ação genocida do presidente em meio à pandemia, a urgência da luta em defesa da vida e da democracia se impõe como um dever ante a realização dos nossos projetos pessoais. Por isso, decido sacrificar o meu desejo de disputar novamente a prefeitura do Rio de Janeiro para dedicar todos os meus esforços à construção de uma frente ampla que una nacionalmente o campo democrático no enfrentamento ao fascismo. 

Não é fácil abrir mão da minha candidatura, tanto do ponto de vista pessoal quanto político. Mas a escolha se faz necessária para que, em vez de cuidar exclusivamente da minha campanha, eu possa trabalhar pela formação dessa aliança nas eleições municipais deste ano, tanto no Rio de Janeiro, cidade tão desigual e assolada pelo crime organizado e pela associação entre milícias e política, quanto em outras capitais do país. Assumo esse compromisso porque entendo que o pleito de 2020 será um passo decisivo para criarmos pontes, acumularmos forças, amadurecermos um novo projeto de Brasil e derrotarmos o bolsonarismo em 2022. 

Além de me dedicar a essa articulação nacional em prol da unidade do campo democrático antifascista, seguirei enfrentando as duras, porém necessárias, batalhas que estamos travando no Congresso Nacional, onde obtivemos vitórias relevantes. Nós aprovamos a renda básica emergencial, garantindo R$ 600 para socorrer os brasileiros na crise quando o governo queria pagar apenas R$ 200; barramos a destruição da legislação que impede o acesso indiscriminado de armas e munições e derrotamos a excludente de ilicitude.   

Foram conquistas importantes, porém insuficientes, na Câmara dos Deputados contra a agenda autoritária e violenta do governo Bolsonaro. Diante disso, é fundamental a minha permanência nesta trincheira de lutas que se torna ainda mais necessária diante das consequências da aliança entre o centrão e o governo, que passará a ter uma tropa de choque para seu projeto autoritário e genocida.

Não estamos diante de uma eleição como as outras. O desafio diante de nós é a própria sobrevivência das pessoas e da democracia. Não faz nenhum sentido, nesse momento dramático, pensar apenas em nossos projetos pessoais, em nossos partidos, valorizando nossas divergências. Quem for anti-fascista, hoje, é meu irmão, minha irmã. Chegou a hora de termos grandeza: ou demonstramos desprendimento e capacidade de diálogo, já, ou mereceremos o pior julgamento da história, por não nos unirmos para impedir a destruição da democracia e da vida do povo brasileiro. 

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