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Flordelis admite pela 1ª vez que soube de plano para assassinar o marido

Parlamentar federal pelo PSD, no entanto, se diz inocente da acusação de ter sido a mandante do crime

Por Marina Lang Atualizado em 18 dez 2020, 20h56 - Publicado em 18 dez 2020, 20h03

A deputada federal Flordelis dos Santos Souza (PSD) admitiu pela 1ª vez nesta sexta-feira, 18, que soube do plano para matar seu marido, o pastor evangélico Anderson do Carmo, assassinado a tiros na garagem de casa em 16 de junho de 2019, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Ela é ré no processo que julga o homicídio do companheiro junto a outras dez pessoas que teriam participado do complô contra Carmo, e foi apontada como a mandante do crime pela Polícia Civil e pelo Ministério Público estadual. A parlamentar, no entanto, nega a acusação de estar envolvida na morte. Todos os réus estão presos – à exceção da deputada federal, em decorrência do foro privilegiado da função. Ela está sendo monitorada por uma tornozeleira eletrônica.

Flordelis prestou depoimento no âmbito do processo judicial que corre na 3ª Vara Criminal de Niterói na manhã de hoje. A deputada alegou que o filho adotivo e réu por ter obtido a arma do crime, Lucas dos Santos, lhe mostrou uma troca de mensagens enviada pelo próprio celular da deputada federal, que também é pastora evangélica. Na mensagem havia um pedido a Lucas para que este matasse o pastor Anderson.

“É Deus no céu e Flordelis na Terra”: da manipulação à morte de pastor

Flordelis, no entanto, declarou que quem enviou o texto foi uma das filhas adotivas do casal, Marzy, que também está presa sob acusação de envolvimento no assassinato. A deputada declarou, então, que foi a primeira pessoa a avisar Anderson sobre a ameaça, e que teria aconselhado o companheiro a procurar a polícia.

Na versão dela, Anderson teria se recusado e dito que ele próprio iria resolver a questão. A encomenda da morte teria sido feita porque o pastor descobriu que Marzy roubou dinheiro de um cofre da casa. Anderson teria conversado com Marzy que, em depoimento prestado à Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, admitiu que enviou a encomenda de assassinato – mas alegou que isso teria sido feito sob anuência de Flordelis.

No depoimento prestado hoje, a deputada descreveu a noite do assassinato – segundo seu relato, Flordelis e Anderson teriam passeado pelo Rio de Janeiro e retornado à residência na madrugada. A deputada teria se dirigido ao andar superior da casa em que o casal morava quando teria ouvido os disparos contra o marido. Ela também negou que soubesse de um suposto envolvimento do marido assassinado com uma das filhas adotivas do casal.

Uma nova audiência já está marcada para o dia 22 de dezembro. Flávio dos Santos, filho biológico de Flordelis, é réu apontado como executor dos tiros contra o pastor. Ele foi preso durante o velório do padrasto. A arma usada no crime foi encontrada em cima de um armário no quarto usado por Flávio dentro da casa da deputada. Tanto ele quanto Lucas foram denunciados por homicídio triplamente qualificado. A pena prevista para o crime varia entre 12 a 30 anos.

A investigação do crime também apontou suspeitas de rachadinha e nepotismo no gabinete da parlamentar na Câmara dos Deputados, em Brasília, conforme VEJA mostrou.

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