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Filha de ex-diretor fez negócios suspeitos com Petrobras

Documentos somam mais de 5 milhões de reais. Suspeita é de que Arianna Bachmann tenha se beneficiado de informações privilegiadas

Por Da Redação - 25 nov 2014, 06h59

Uma das filhas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Arianna Bachmann, é suspeita de se beneficiar com “informações privilegiadas” em contratos de venda de móveis para empresas contratadas da estatal. Dois contratos, que somam mais de 5 milhões de reais, são referentes ao mobiliário comprado em 2009 para as novas unidades do Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) – inaugurado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 -, obra alvo da Lava Jato e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Em um documento apreendido pela Polícia Federal no computador da Costa Global, Arianna recebe orientações de uma mulher que assina “Crica”.

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Ela apresenta dados sobre o mobiliário esperado para a unidade. “O teor da mensagem sugere que Crica esteja apontando fragilidades observadas no mobiliário exposto para apreciação, por funcionários da Petrobras, visando o projeto de ampliação do Cenpes”, registram os analistas da Polícia Federal. Crica, segundo a PF, apresenta “itens a serem abordados” no encontro com representantes da estatal, “proporcionando à Arianna o acesso a informações privilegiadas”. A filha do ex-diretor, que também foi alvo da Lava Jato, atuava na época como representante de duas empresas de móveis para escritórios.

“Convém ressaltar que Arianna é representante das empresas” que fecharam contrato, “ambas do ramo de mobiliários para edificações e interessadas no fornecimento de produtos para o projeto”, registra a analise pericial. Eles abriram os arquivos dos computadores da empresa de Costa, no Rio, onde a filha trabalhava com ele.

Segundo a Polícia Federal, “Crica” pode ser Maria Cristina Nogueira de Sá Pikielny, uma das proprietárias da Italma (Multiflex do Brasil Comércio de Móveis), que é representada pela filha do delator da Lava Jato. São pelo menos cinco arquivos com dados sobre contratos de fornecedoras ou subcontratadas da Petrobras, a maior em específico para mobília das novas unidades do Cenpe.

No material apreendido e analisado, Arianna aparentemente faria o intermédio para venda de móveis para dois consórcios formados por grandes empresas que atuaram nas obras do Cenpe. O Consórcio Citi e o Consórcio Novo Cenpe. Nele, a Polícia Federal registra que houve adequação dos orçamentos ao contrato. Arianna tem duas empresas em seu nome a Bachmann Representações e a B & X Consultoria e Assessoria. Seu marido, tem ligações diretas com a loja de móveis 021 Móveis Carioca. Ele foi também alvo da Lava Jato.

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Delatores – A família do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras foi incluída no acordo de delação premiada que ele firmou com o Ministério Público Federal. A mulher e as duas filhas de Paulo Roberto Costa também se comprometeram com uma colaboração acessória e individual à investigação em troca do abrandamento das punições.

Sétima fase da operação Lava Jato
Sétima fase da operação Lava Jato VEJA

(Com Estadão Conteúdo)

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