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FHC critica distritão e defende a volta das doações de empresas

Ex-presidente foi evasivo ao comentar sobre a disputa silenciosa que João Doria e Geraldo Alckmin travam para ser o candidato tucano à Presidência em 2018

Por Da Redação - Atualizado em 17 ago 2017, 17h22 - Publicado em 17 ago 2017, 17h21

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nesta quinta, no Rio de Janeiro, que o sistema eleitoral “está muito deformado” e que a mudança para o “distritão” representaria uma “deformação maior ainda”. FHC defendeu a retomada dos financiamentos empresariais de campanhas e pediu para que as mudanças no modelo eleitoral comecem pelos municípios, que serviriam como um laboratório para as Assembleias Legislativas e para o Congresso.

Ele falou a empresários de diferentes setores num almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Na saída, falou rapidamente sobre a reforma política discutida pelos deputados. “A reforma ainda está mal parada. Tem muita confusão. Meu partido defende o voto distrital misto. Deveríamos começar pelos vereadores, para aprender. Vê se dá certo e dá outro passo.”

FHC afirmou que é contra o fundo público de financiamento de campanhas e a favor da volta do modelo anterior, em que empresas podiam contribuir. “Tínhamos de voltar ao bom senso. Tem de baixar os custos das campanhas. Não vejo por que proibir a doação privada. Doa ao tribunal, aí o partido vai lá e leva a conta, para evitar a corrupção, porque senão o povo vai pagar, e o povo está cansado de pagar.”

Se o “distritão” passar, os eleitores votarão apenas em candidatos a deputado e vereador, sem a possibilidade de voto nos partidos, e deixa de haver o quociente eleitoral. Dessa forma, seriam lançados menos candidatos por partido, e só os mais votados se elegeriam. A crítica ao sistema é de que candidatos mais conhecidos do eleitorado e com mais recursos acabarão sendo privilegiados, em detrimento de novatos.

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Agora, para tentar cooptar apoios, parlamentares falam em um “distritão misto”, ou “semidistritão”, que combina o voto majoritário com o voto no partido. Nesses modelos, os eleitores poderiam escolher um candidato e um partido, e os votos nas legendas seriam distribuídos proporcionalmente aos seus candidatos. As novas regras só valerão para o pleito de 2018 caso sejam aprovadas por deputados e senadores até o dia 7 de outubro.

Candidato tucano

FHC não quis adiantar qual candidato do PSDB à Presidência da República contará com o seu apoio em 2018, embora tenha apontado dois nomes para representar o partido na disputa: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista, João Doria.

O ex-presidente limitou-se a dizer que o candidato do PSDB terá de saber se comunicar com o país. “O candidato tem que falar com o Brasil. Não só com São Paulo. Quem falar com o Brasil vai ter meu apoio”, declarou. Questionado por jornalistas sobre quem estaria se comunicando melhor com o Brasil, FHC desconversou. “Acho que sou eu”, disse, aos risos.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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