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Farmacêutica que pagou R$ 7,8 mi a Dirceu era parceira de laboratório de doleiro

EMS fez parte de empreitada no Ministério da Saúde para desenvolvimento de produto com o laboratório de fachada Labogen

Por Felipe Frazão, Daniel Haidar e Laryssa Borges - 17 mar 2015, 23h14

A indústria farmacêutica EMS aparece como maior cliente da consultoria do ex-ministro José Dirceu (PT), conforme dados da Receita Federal revelados pela força-tarefa da Operação Lava Jato. A farmacêutica, que remunerou o mensaleiro com 7,8 milhões de reais dos 29,2 mihões recebidos pela empresa de Dirceu entre 2006 e 2013, foi parceira do laboratório de fachada Labogen Química Fina, do doleiro Alberto Youssef, em uma empreitada no Ministério da Saúde. Youssef buscou o acordo com a EMS, gigante do setor de medicamentos genéricos, para depois tentar associar o Labogen ao Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM) e obter aprovação de um projeto no ministério.

O objetivo era fechar um negócio de cerca de 135 milhões de reais por cinco anos. Tratava-se de uma parceria de desenvolvimento produtivo (PDP) nos moldes incentivados pelo Ministério da Saúde. O convênio chegou a ser assinado, mas terminou suspenso pelo governo federal.

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O ex-deputado paranaense André Vargas, então no PT, participou das gestões junto ao Ministério da Saúde, durante a gestão do ex-ministro Alexandre Padilha, para fechar o negócio. Em troca de mensagens interceptada pela Polícia Federal, Vargas disse a Youssef: “Bati um longo papo com Pedro [Argese] e ele estava com documento de parceria com o EMS.”

Pedro Argese era um dos diretores do Labogen. Ele disse à Polícia Federal que recebeu orientação de um diretor do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Oliveira, para fechar negócio com a EMS, o que poderia acelerar o desenvolvimento dos medicamentos. Segundo Argese, o diretor do Ministério da Saúde disse que a EMS era o “parceiro ideal” porque já tinha um produto certificado em testes, o citrato de sildenafila – a substância é o princípio ativo do Viagra.

À época, a EMS disse em nota que “não celebrou contrato com o laboratório Labogen” e afirmou que a empresa de Youssef “é um laboratório independente e não tem qualquer vínculo com a empresa”.

Segundo a PF, o Labogen era um laboratório de fachada e foi usado para lavagem de dinheiro e remessa ao exterior. Youssef e Argese são réus de uma ação penal na 13ª Vara Federal em Curitiba, acusados de usar o laboratório e outras empresas para enviar quase 500 milhões de dólares ao exterior, entre 2009 e 2013. O doleiro deve depor sobre o caso no próximo dia 31.

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